quinta-feira, 14 de junho de 2012

Impunidade por atos de tortura está disseminada no Brasil, aponta relatório da ONU

Daniella Jinkings
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O relatório feito pelo Subcomitê de Prevenção da Tortura (SPT) da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado hoje (14), aponta que a impunidade por atos de tortura está disseminada no Brasil. Segundo o subcomitê, isso se evidencia pelo “fracasso generalizado” na tentativa de levar os criminosos à Justiça, assim como pela persistência de uma cultura que aceita os abusos cometidos por funcionários públicos.

Oito membros do subcomitê visitaram os estados de Goiás, São Paulo, do Rio de Janeiro e do Espírito Santo entre os dias 19 e 30 de setembro de 2011. Além de fazer visitas a locais de detenção, o SPT participou de reuniões com autoridades governamentais, com o Sistema ONU no Brasil e com membros da sociedade civil.

No relatório, o subcomitê manifesta preocupação com o fato de a atual estrutura institucional no Brasil não proporcionar proteção suficiente contra a tortura e os maus-tratos. Durante a visita, o subcomitê encontrou cadeias em condições precárias, com número restrito de agentes. Além disso, foram relatados casos de tortura, maus-tratos, corrupção e controle de milícias.

Um dos principais pontos destacados pelo documento diz respeito à falta de médicos nas prisões. O subcomitê classificou como “espantosas” as condições materiais na maioria das unidades médicas, nas quais havia carência de equipamentos e de remédios. “A equipe médica era insuficiente e incluía detentos não qualificados para prestar serviços. Por exemplo, em uma prisão visitada, o SPT foi informado de que havia somente um médico presente, uma vez por semana, para atender mais de 3 mil prisioneiros”, diz o relatório.

O SPT também criticou a falta de acesso de presos à Justiça. Por meio de entrevistas com pessoas privadas de liberdade, o SPT descobriu que a assistência jurídica gratuita não era disponibilizada a todos que dela necessitavam. Outro problema apontado pelo subcomitê é que os juízes evitam a imposição de penas alternativas, mesmo para réus primários.

Além de mostrar problemas no sistema carcerário, o SPT faz diversas recomendações ao país para melhorar as condições de vida dos presos. Segundo o subcomitê, esta não é a primeira vez que recomendações como essas são feitas ao Brasil. “Infelizmente, o SPT detectou muitos problemas semelhantes aos identificados nas visitas anteriores, ainda que tenha havido progresso em algumas áreas específicas.”

O Brasil tem até 8 de agosto para apresentar uma resposta ao subcomitê das Nações Unidas. De acordo com a coordenadora-geral de Combate à Tortura da Secretaria de Direitos Humanos, Ana Paula Moreira, o governo federal ainda está trabalhando na resposta que será enviada à ONU. “O que temos visto é que os ministérios já têm se articulado. É algo que já vem sendo construído há algum tempo.”

Ela destacou ainda o Programa Nacional de Apoio ao Sistema Prisional, que tem como meta acabar com o problema da falta de vagas em presídios e cadeias femininos e diminuir pela metade o déficit de vagas para presos provisórios hoje detidos em delegacias. A expectativa do Ministério da Justiça é criar, nos próximos três anos, 42,5 mil vagas, sendo 15 mil para mulheres e 27,5 mil vagas para homens, em cadeias públicas. Será investido um montante de R$ 1,1 bilhão.

“É horrível falar de um plano que aumenta vagas, mas ele não está isolado. Há ações de outras pastas que tratam dessa questão do sistema prisional em si. Tanto os relatórios nacionais quanto os internacionais vão possibilitar um diagnóstico. Para a criação de políticas públicas, a gente precisa ter dados e diagnósticos para fazer essa discussão”, disse Ana Paula à Agência Brasil.

Os dados mais recentes do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, mostram que no Brasil há 514,5 mil presos. Desses, 173 mil são provisórios, ou seja, ainda não foram julgados. A superlotação dos presídios é um dos principais problemas do sistema carcerário. O país tem apenas 306 mil vagas para mais de 500 mil presos.

Edição: Juliana Andrade

Fonte: Agência Brasil, 14/06/12, disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-06-14/impunidade-por-atos-de-tortura-esta-disseminada-no-brasil-aponta-relatorio-da-onu

Câmara aprova projeto que garante direitos aos conselheiros tutelares

Data: 14/06/2012

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou no início da noite desta terça-feira (13) o substitutivo ao Projeto de Lei 3.754/12, que garante direitos aos conselheiros tutelares da criança e do adolescente. O projeto segue para o Senado Federal.  Segundo a secretária Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), Carmen de Oliveira, a aprovação é uma grande conquista para a SDH. “Acompanhamos todo o processo, incidindo inclusive nas propostas. A aprovação vai ao encontro do objetivo estratégico de fortalecer e qualificar os Conselhos,” explica. O Brasil possui 5.925 Conselhos Tutelares, em 98% dos municípios, o que corresponde a cerca de 29.600 conselheiros tutelares.  

Para Carmen, o conselheiro é uma figura ímpar, que passou a ser introduzida no Brasil a partir do Estatuto da Criança e do Adolescente. “A experiência é única no Mundo. O conselheiro é escolhido pela própria comunidade e tem uma autonomia tanto como defensor comunitário, quanto como referência para proteção das crianças e adolescentes na comunidade” explica, reforçando que o desafio a partir de agora é melhorar a formação dos conselheiros.     

O texto aprovado é o do substitutivo da deputada Erica Kokay (PT-DF), que prevê a escolha dos conselheiros de todo o País em data unificada nacionalmente, no primeiro domingo de outubro do ano seguinte ao das eleições presidenciais. A eleição será a cada quatro anos. Os critérios para unificação do processo de eleição estarão em lei específica, que o Executivo deve encaminhar em 90 dias. O projeto garante ainda cobertura previdenciária, férias anuais remuneradas com adicional de 1/3, licença-maternidade, licença-paternidade e gratificação natalina.

Em cada município e região administrativa do Distrito Federal, haverá no mínimo, um Conselho Tutelar como órgão integrante da administração pública local, composto de cinco membros, escolhidos pela população local para mandato de quatro anos, permitida uma recondução, mediante novo processo de escolha.  
Assessoria de Comunicação Social 

Fonte: SDH-PR, 14/06/12, disponível em: http://www.sdh.gov.br/clientes/sedh/sedh/2012/06/14-jun-12-camara-aprova-projeto-que-garante-direitos-aos-conselheiros-tutelares

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Fortaleza é a 3ª capital do País com maior índice

Segundo o levantamento feito pelo Ministério Público do Trabalho, com dados do Censo 2012, Fortaleza registra mais de 8 mil crianças trabalhando. É o terceiro pior índice do Brasil em números absolutos. No Ceará, são 58 mil nessa situação


FOTO: GEORGIA SANTIAGO, 2/7/2008
Muitas crianças trabalham em vendas ambulantes

Ao invés de estudar e brincar, mais de 8 mil crianças entre 10 e 14 anos estão trabalhando na capital cearense. Segundo um levantamento feito pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), com base nos dados divulgados pelo Censo 2012 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Fortaleza registra o terceiro pior índice no País, em números absolutos. Fica atrás apenas de São Paulo (30.869) e Rio de Janeiro (10.989).

O procurador do trabalho Antônio de Oliveira Lima aponta a predominância de crianças atuando em estabelecimentos comerciais e industriais, além de residências. “Muitos trabalham em lava-jatos, oficinas, vendas ambulantes, coleta de material reciclável ou trabalho doméstico”, elenca.


Ele alerta para a elaboração de novas estratégias para a erradicação do problema. “Há uma necessidade de implementação da educação integral. As crianças precisam de atividades educacionais e complementares de lazer, esporte e cultura”, diz.


Para a coordenadora do programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), Márcia Nogueira, o desafio é fazer com que a família e o empregador compreendam os prejuízos físicos e emocionais que as crianças podem ser acometidas pelo resto da vida. Ela elenca os riscos de exploração sexual, tráfico de drogas e jornadas de trabalho excessivas que os pequenos enfrentam.


Jangurussu, Pirambu, Barra do Ceará, Conjunto Maria Tomásia, Siqueira e Messejana são as regiões com maior índice de trabalho infantil na Capital, aponta a coordenadora do Peti. Atualmente, são 1.940 crianças, principalmente entre 6 e 15 anos, atendidas nos 17 núcleos de execução do programa. “Além de tirar da situação de trabalho infantil, resgatamos o vínculo afetivo e familiar através dos núcleos de convivência”, afirma.


Para isso, ela destaca o reforço de campanhas educativas e a importância da denúncia. “Ainda existe o mito muito forte de que o trabalho infantil faz com que a criança fique responsável e longe das drogas”, completa Márcia.

No Ceará


No Estado, são 58.825 crianças entre 10 e 14 anos trabalhando. O procurador do trabalho lista o município de Deputado Irapuan Pinheiro com o maior índice de crianças nessa faixa etária, com 23,3%. Os municípios de Cruz (20,12%), Caririaçu (19,57%), Quiterianópolis (19,05%) e Salitre (18,54%) são os outros cinco com maiores índices de trabalho infantil.


Em relação ao restante do País, o Ceará ocupa a 15ª colocação entre os estados com maior número de casos de trabalho infantil. Em 2000, ocupava a 6ª posição, com 81.650 crianças de 10 a 14 anos trabalhando. Ainda segundo o IBGE, existem 1.069.399 crianças em condições de trabalho em todo o Brasil.

ENTENDA A NOTÍCIA


Ontem foi o Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil. O Brasil tem compromisso com a Organização Internacional-OIT de erradicar piores formas de trabalho infantil até 2016 e, até 2020, eliminar todas as formas de exploração do trabalho precoce.

Serviço
Denuncie o trabalho infantil

Creas da SER II: 3452 1888
Creas da SER III: 3223 5273 
Creas da SER V: 3452 2481
Disque Direito de Criança e Adolescente : 0800 285 0880  
Ministério Público do Trabalho:
denunciatrabalhoinfantil@gmail.com

Saiba mais

Conforme a Constituição Federal, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o trabalho é totalmente proibido até os 13 anos de idade.

Entre 14 e 15 anos, é permitido somente na condição de aprendiz.

Entre 16 e 17 anos, o trabalho é permitido, desde que não seja em condições perigosas ou insalubres e em horário noturno.

O MPT lançou a Campanha “Vamos acabar com o Trabalho Infantil”. Uma caravana está percorrendo várias regiões do Ceará para divulgar a violação dos direitos humanos infantis.

O objetivo é fortalecer as ações locais para prevenção e eliminação do trabalho infantil. A expectativa é que 5 mil profissionais sejam mobilizados. 

Fonte: O Povo Online, 13/06/12, disponível em: http://www.opovo.com.br/app/opovo/fortaleza/2012/06/13/noticiasjornalfortaleza,2857754/fortaleza-e-a-3-capital-do-pais-com-maior-indice.shtml




terça-feira, 12 de junho de 2012

Tropas da Síria usam crianças como 'escudos humanos', diz ONU


Atualizado em  12 de junho, 2012 - 06:28 (Brasília) 09:28 GMT
Crianças participam de protesto contra o governo do presidente Bashar al Assad na cidade síria de Kafranbel
Crianças sírias relatam ter sido alvo de torturas



Tropas do governo sírio estariam usando crianças como escudos humanos para evitar ataques de rebeldes, segundo um recém-divulgado relatório da ONU.

O documento cita relatos de crianças que contam ter sido forçadas a andar em tanques para impedir ataques por parte de combatentes de oposição. Muitas delas dizem ter sido colocadas intencionalmente em linhas de tiro para impedir disparos por parte de dissidentes.
Entre os relatos estão testemunhos sobre um ataque contra a vila de Ayn l'Arouz, em 9 de março de 2012, em que crianças foram retiradas de suas casas ''e usadas por soldados e milícias como escudos humanos, tendo sido colocadas na janela de ônibus conduzindo militares".
Segundo a Representante da ONU para Crianças e Conflitos Armados, Radhika Coomaraswamy, crianças também estão sendo torturadas em prisões e assassinadas em massacres.

O documento traz ainda relatos de crianças que teriam sido espancadas, tiveram os olhos vendados, foram submetidas a posições estressantes, açoitadas com cabos elétricos e queimadas com cigarro. Uma criança diz ter sido submetida a choques elétricos durante um interrogatório.

 

Sem precedentes

A representante da ONU contou à BBC ter regressado da Síria com relatos ''horrendos''.

''Muitos ex-soldados contaram ter atirado contra áreas civis, tendo visto crianças, crianças pequenas, sendo mortas e mutiladas'', disse a representante da ONU.

''Nós também recebemos testemunhos e vimos crianças que foram torturadas e que carregam as marcas da tortura com elas. Nós também ouvimos relatos de crianças estarem acostumadas, como nos relataram, em ser colocadas em tanques e usadas como escudos humanos, para que não se pudesse disparar contra os tanques.''

Mas a representante da ONU também criticou ações do rebelde Exército Livre da Síria que estariam colocando crianças em perigo.

''Nós ouvimos pela primeira vez que crianças estão sendo recrutadas pelo Exército Livre da Síria predominantemente em trabalhos médicos e em serviços, mas ainda assim elas têm atuado na linha de frente'', afirmou.

''Nós ficamos realmente chocados. Matar e mutilar crianças em meio ao fogo cruzado é algo que vemos em diversos conflitos, mas torturar crianças presas, algumas com até 10 anos de idade, é algo bastante incomum, que nós não costumamos ver em outros lugares'', comentou a representante da ONU.

Fonte: BBC Brasil, 12/06/12, disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/06/120612_siria_criancas_alvo_bg.shtml

Programas sociais ajudam Brasil a resolver efeitos da crise mundial, diz ministra


12/06/2012 - 18h28
Daniella Jinkings e Ivanir José Bortot
Repórteres da Agência Brasil


Brasília – A ministra do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Tereza Campello, afirmou hoje (12) que o Brasil não está imune aos impactos de uma redução do crescimento econômico mundial. No entanto, diz a ministra, os efeitos da crise no país estão sendo resolvidos com medidas econômicas, graças ao mercado de consumo de massa apoiado, em parte, pelos programas sociais  do governo, que devem injetar este ano R$ 20 bilhões na economia.
 
Em entrevista à Agência Brasil, Tereza Campello disse que os empresários do comércio, os industriais e os governantes de todos os partidos conseguem compreender a dimensão extra do Bolsa Família. ”Não é só a dimensão de justiça e equidade, mas a dimensão econômica, que é ter criado um colchão de renda, que não só garante que haja sempre um patamar da economia funcionando, como impede que, nos momentos de crise, você bata no fundo do poço. Você sempre tem uma renda que garante um patamar mínimo de funcionamento da economia”, explicou.

A economia em crescimento é uma condição importante para que parcela daqueles que vivem na extrema pobreza sejam inseridos no mercado de trabalho, mas a ministra ressalta que isso depende da qualificação profissional deste segmento da população. “A taxa de crescimento pode ser maior ou pode estar no patamar de hoje. Tudo indica que teremos oportunidade para os brasileiros. Por isso, estamos investindo pesadamente para que tais oportunidade sejam aproveitadas.”

A íntegra da entrevista é a seguinte:
 
ABr: O Brasil está com um dos mais baixos índices de desemprego e, além disso, a economia crescendo nos atuais patamares pode contribuir para a redução do número de famílias beneficiadas pelo Bolsa Família?
 
Tereza Campello: Isso depende de quanto a economia vai crescer. Não podemos discutir se as pessoas vão conseguir emprego. Na década de 1990, os governos faziam cursos de qualificação para pessoas desempregadas. A economia estava estagnada e jogava-se para o trabalhador o ônus de estar desempregado. O fato de você qualificar a pessoa não quer dizer que ela vai melhorar de vida. O fato de o Brasil estar crescendo também não significa que ela vai conseguir se empregar. Hoje, esta população não está conseguindo tais oportunidades por falta de qualificação. Em várias cidades brasileiras, faltam oportunidades de qualificação. O Brasil crescendo, o governo entra com a capacitação das pessoas.
 
ABr: O Brasil crescendo tem algum efeito sobre o programa?
 

Tereza Campello: Muito grande da parte dessas pessoas, que não precisarão mais do Bolsa Família. Agora tem gente que ainda não entrou no programa. Estamos indo atrás dessas pessoas. Há muita gente saindo do Bolsa Família porque melhorou de vida. Outros, a gente ainda está incluindo.
 
ABr: Seu ministério (MDS) tem ações que envolvem forte atuação na área social, com reflexos importante na economia.
 
Tereza Campello: O Brasil Sem Miséria não é um programa do ministério. É da presidenta Dilma. Por isso, ele vem sendo priorizado por todos os ministérios, inclusive pelo da Fazenda. Incluir milhões de brasileiros como consumidores tem ajudado o Brasil a crescer. Tem uma demanda de bens de consumo em diversas localidades do país. Hoje acabou o tabu de que quem defende a agenda social é quem trabalha com política social. Hoje os empresários do comércio, os industriais, os diferentes governantes e partidos conseguem compreender a dimensão extra de que não é só a dimensão de justiça e equidade, mas a dimensão econômica, que é ter criado um colchão de renda, que não só garante que haja sempre um patamar da economia funcionando, como impede que, nos momentos de crise, você bata no fundo do poço. Você sempre tem uma renda 
que garante um patamar mínimo de funcionamento da economia.
 
ABr: Se ocorrer um processo de desaquecimento da economia, quais as conseqüências sobre o programa?
 
Tereza Campello: O Brasil não é uma ilha e não está imune aos efeitos de uma redução do crescimento econômico mundial. Estamos sentindo os efeitos, mas temos conseguido resolver, não só com medidas econômicas para manter a economia brasileira e nosso mercado interno de massa funcionando, mas apoiados inclusive em parte em nossos programas sociais para atravessar este momento de crise. E, com isso, são menores os impactos sociais.
 
Edição: Nádia Franco

Fonte: Agência Brasil, 12/06/12, disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-06-12/programas-sociais-ajudam-brasil-resolver-efeitos-da-crise-mundial-diz-ministra

Dia de combate ao Trabalho Infantil: desafio é chegar nos núcleos de exploração, diz ministra

Data: 12/06/2012
12/JUN/2012 - Dia de combate ao Trabalho Infantil: desafio é chegar nos núcleos de exploração, diz ministra
Crédito - Agencia Brasil

O crescimento econômico do Brasil só pode existir sob o marco de um desenvolvimento mais amplo, nós temos o desafio de extinguir a exploração do trabalho infantil no país. Essas foram palavras da ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), durante o ato de lançamento da campanha do Dia contra o Trabalho Infantil 2012, nesta terça-feira (12), que este ano tem como tema: “Vamos acabar com o trabalho infantil. Em defesa dos direitos humanos e da justiça social”. 

Dados do Censo 2012, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelados no evento, apontam que o percentual de crianças e adolescentes, de 10 a 17 anos, em situação de trabalho infantil no país caiu 13,44% entre 2000 e 2010. 

Os números absolutos são de 3.935.489 em 2000, para 3.406.517 em 2010, os dados apresentados revelam que 710.140 crianças e adolescentes entre 10 e 13 anos, 888.433, de 14 e 15 anos e 807.944 entre 16 e 17 anos, encontram-se nesta situação. Os dados foram organizados por faixas etárias para orientar o estabelecimento das metas e prazos para acelera a identificação ativa e redução do trabalho infantil.    

Às vésperas da 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, marcada para 11 a 14 de julho, a ministra lembrou a importância da data de hoje, como um marco junto à Conferência. “A Conferência apresentará um plano de metas decenal, nós estamos pensando 10 anos adiante”, comentou.     

Maria do Rosário citou as iniciativas do governo federal em prol dos direitos das crianças e adolescentes, como a busca ativa, capaz de chegar no núcleo mais necessitado da população e o recém-lançado plano, Brasil Carinhoso. “Essas políticas públicas permanentes são um instrumento de grande valor para o enfrentamento dessas violências que tem um caráter cultural na sociedade brasileira”. A ministra destacou especialmente a expressiva queda em todos os estados do Nordeste, foco prioritário dos programas do governo na área.   

Segundo estudo do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil os dados são um instrumento para que gestores públicos federais, estaduais e municipais possam analisar até que ponto os benefícios do crescimento econômico chegaram a estas crianças e adolescentes e sua famílias, para planejar e monitorar as metas e resultados das políticas públicas.         

As manifestações no Brasil são coordenadas pelo Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, em parceria com os fóruns estaduais de prevenção e erradicação do trabalho infantil, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e 79 entidades representativas dos empregadores, trabalhadores, governo federal, operadores do Direito e organizações não-governamentais.  

Assessoria de Comunicação Social

 Fonte: SDH-PR, 12/06/12, disponível em: http://www.sdh.gov.br/clientes/sedh/sedh/2012/06/12-jun-2012-dia-de-combate-ao-trabalho-infantil-desafio-e-chegar-nos-nucleos-de-exploracao-diz-ministra-1


12 de junho, Dia Mundial do Enfrentamento ao Trabalho Infantil


O respeito à dignidade das crianças e adolescentes passa pelo compromisso com um processo de formação sadio e responsável nas fases iniciais da vida. O trabalho precoce elide esse processo, porque nega a infância a quem precisa aproveitá-la, conturbando o desenvolvimento educativo e prejudicando a afirmação da maturidade. No Dia Mundial de Enfrentamento ao Trabalho Infantil, afirmamos nosso compromisso de continuar lutando pela abolição deste mal que aflinge a modernidade e que atenta contra os direitos humanos nos primeiros ciclos de vida.
 
Coordendoria Especial de Políticas Públicas dos Direitos Humanos do Govern/CE 
 
Fonte: COPDH/CE, 12/06/12, disponível em: http://copdhce.blogspot.com.br/2012/06/12-de-junho-dia-mundial-do.html

Erradicação do trabalho infantil (Artigo Jornal O Estado,12/06/12)

No Brasil, o dia 12 de junho é habitualmente lembrado por marcar o Dia dos Namorados. Universalmente, porém, o dia guarda importância por razão politicamente mais engajada, o Enfrentamento ao Trabalho Infantil. A referência procura reforçar a necessidade de cumprimento das Convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT) 188, de 1973, e 182, de 1999, que, disciplinam, respectivamente, a idade mínima para o trabalho e as piores formas de trabalho infantil.

Os números do trabalho infantil são incertos, mas estimativas apontam para um volume que pode chegar no mundo a 70 milhões, estando o Brasil possivelmente contribuindo com este total, através da exploração de cerca de 5 milhões de jovens abaixo dos 16 anos, idade mínima prevista pela Constituição (art. 7º, XXXIII) para a imersão no mundo do trabalho. Importante salientar que o censo de 2010 revelou a existência de 132 mil brasileirinhos, com idade entre 10 e 14 anos, na situação de provedores de família.

No País, o trabalho infantil tem sido constatado mais maciçamente em serviços domésticos, labor nas ruas, especialmente em serviços associados ao lixo e vinculados à exploração sexual, e, também, na agricultura, em atividades que vão desde a agrícola familiar até a atividade de larga escala, com exposição ou não a agrotóxicos.

Para cumprir com a meta de abolir o trabalho infantil até 2016, ano estipulado pelos signatários da OIT para erradicação total do problema, sociedade civil e poder público muito têm unido esforços nos últimos anos.

No Ceará, a Coordenadoria Especial de Políticas Públicas dos Direitos Humanos do Governo (COPDH) está inserida na rede de apoio à Caravana Nordeste contra o Trabalho Infantil no Estado, articulação conduzida pelo Ministério Público do Trabalho da 7a Região.

Soma-se, assim, ao empenho de outras secretarias estaduais, como a da Educação (Seduc) e a do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), não apenas manifestado através do apoio a campanhas de sensibilização da sociedade civil, como também de ação direta mediante estratégias de educação integrada e profissionalizante, e articulação de programas nacionais como o Peti – Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, e outros projetos locais como o Primeiro Passo e o Jovem Aprendiz em Serviço, ambos voltados à formação adequada de jovens segundo suas faixas etárias.

O objetivo é afirmar e reafirmar, constantemente e de modo incisivo, o compromisso do Governo do Estado com a dignidade de suas crianças e adolescentes.

Marcelo Uchôa
Coordenador Especial de Direitos Humanos/CE e Professor/UNIFOR

Fonte: Jornal O Estado, 12/06/12, disponível em: http://www.oestadoce.com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=13&noticiaID=69656


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Governo divulga ranking sobre trabalho infantil nesta terça (12)

Data: 11/06/2012

Será lançado nesta terça-feira (12), em Brasília, a campanha do Dia contra o Trabalho Infantil, que este ano tem como tema: “Vamos acabar com o trabalho infantil. Em defesa dos direitos humanos e da justiça social”. O lançamento acontecerá no salão Negro do Ministério da Justiça às 9h30, e terá a participação de crianças e adolescentes, autoridades e representantes das entidades parceiras. A atividade marca a passagem do Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, comemorado nesta terça.

11/JUN/12 - Governo divulga ranking sobre trabalho infantil nesta terça (12)Durante o evento serão apresentados novos dados sobre a ocorrência do trabalho infantil no Brasil, com detalhamento de informações em nível federal, dos estados e também dos municípios onde este problema ainda é identificado. A Secretária Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Carmem Silveira de Oliveira, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), participa do evento.

As manifestações no Brasil são coordenadas pelo Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, em parceria com os fóruns estaduais de prevenção e erradicação do trabalho infantil, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e 79 entidades representativas dos empregadores, trabalhadores, governo federal, operadores do Direito e organizações não-governamentais.

Lançamento da campanha contra o trabalho infantil
Data: 12 de junho de 2012
Horário: 9h30
Local: Salão Negro do Ministério da Justiça

Fonte: SDH-PR, 11/06/13, disponível em: http://www.sdh.gov.br/clientes/sedh/sedh/2012/06/11-jun-12-governo-divulga-ranking-sobre-trabalho-infantil-nesta-terca-12
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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Roberto Caldas é eleito para Corte de Direitos Humanos

Disputa acirrada

O candidato do Brasil para o cargo de juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos, Roberto Caldas, foi proclamado vencedor das eleições para a função, na noite de terça-feira (5/6), durante a 42ª Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos. Caldas recebeu 19 votos numa das disputas mais acirradas de todos os tempos para uma corte internacional, com cinco candidatos para três vagas. As informações são do jornal O Globo.

Os outros escolhidos foram o mexicano Eduardo Ferrer MacGregor (18 votos) e o colombiano Humberto Sierra Porto (15 votos). As juízas que tentavam a reeleição, Margarette Macaulay (Jamaica) e Rhaxy Blondet (República Dominicana) não obtiveram êxito.

A votação secreta teve a participação de 24 países-membros signatários da Convenção Americana de Direitos Humanos e elegeu o advogado Roberto Caldas para o período de 2013-2018, com possibilidade de reeleição. Ele poderá manter suas atividades advocatícias, mas não poderá atuar nos casos que envolver o Brasil na Corte. 

Caldas foi indicado pela presidente Dilma Rousseff, em fevereiro do ano passado, e durante sua campanha teve apoio do Ministério das Relações Exteriores e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Com experiência de 25 anos no ramo de direitos sociais e na defesa de trabalhadores, ele será o único membro da Corte com essa especialização.

Caldas será o segundo brasileiro a fazer parte da Corte. Antes dele, o jurista Antônio Augusto Cançado Trindade foi o representante do Brasil entre 1995 e 2006, tendo ocupado a presidência por duas vezes (1991-2001 e 2002-2003).

A Corte
 

A Corte Interamericana de Direitos Humanos tem sede em San José na Costa Rica e é composta por sete juízes, eleitos entre juristas dos países-membros da OEA. A Corte é uma instituição judicial autônoma da Organização e tem como objetivo salvaguardar a aplicação dos princípios da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, estabelecida em 1979, e de outros tratados sobre o assunto.

Perfil dos eleitos
 

Roberto de Figueiredo Caldas (Brasil)
Advogado, formado em Direito pela Universidade de Brasília (UnB), foi juiz ad hoc da Corte Interamericana de Direitos Humanos nos processos brasileiros desde 2007: Casos (1) Escher, (2) Garibaldi e (3) Gomes Lund ou Guerrilha do Araguaia (pendente de supervisão de sentença a ocorrer em 2012). É membro da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, conselheiro do Conselho de Transparência Pública e Combate à Corrupção – CGU/Presidência da República, membro da Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae), da Secretaria de Direitos Humanos/Presidência da República, coordenador da Coordenação de Combate ao Trabalho Escravo da OAB Nacional e secretário-geral da Comissão Nacional de Defesa da República e da Democracia da OAB Nacional. Especialista em Ética, Direitos Humanos e Sociais, e Direito Constitucional e do Trabalho, advoga com militância intensa perante o Supremo Tribunal Federal e Tribunais Superiores há mais de 25 anos, dentre os quais, defendeu importantes processos que se tornaram precedentes (“leading cases”), como o piso nacional do magistério.


Eduardo Ferrer Mac-Gregor Poisot (México)
Graduado em Direito pela Universidad Autónoma de Baja California. Especialista em Direitos Humanos pelo Institut Internacional des Droits de L´Homme (Estrasburgo – França). Doutor em Direito pela Universidad de Navarra, Espanha (Cum Laude). Foi juizad hoc da Corte Interamericana de Direitos Humanos no Caso Cabrera y Montiel vs. México (2009-2010). Exerceu diversos cargos na Suprema Corte de Justiça do México, entre eles, o de diretor-geral de Relações Internacionais, presidente do Comitê Editorial, presidente do Comitê de Acesso à Informação e secretário executivo jurídico administrativo.


Humberto Sierra Porto (Colômbia)
Formou-se em Direito pela Universidad Externado de Colombia. É especialista em Direito Constitucional e Ciências Políticas pelo Centros de Estudios Constitucionales de Madrid (Espanha). Doutor em Direito Constitucional pela Universidad Autónoma de Madrid. Professor de Direito Constitucional da Universidad Externado de Colombia. Autor de diversas publicações na área de justiça constitucional e fontes de direito. Foi advogado perante o Conselho de Estado, bem como assessor de assuntos legislativos na Câmara de Representantes. Desde setembro de 2004, é juiz da Corte Constitucional da Colômbia.

Fonte: Revista Consultor Jurídico, 06/06/12, disponível em: http://www.conjur.com.br/2012-jun-06/roberto-caldas-eleito-corte-interamericana-direitos-humanos