sexta-feira, 25 de maio de 2012

Apenas uma em cada sete crianças e adolescentes que vivem em abrigos pode ser adotada


25/05/2012 - 8h08
Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Em uma ampla sala colorida, cercado por cuidadoras, um grupo de seis bebês, com 6 meses de idade em média, divide o mesmo espaço, brinquedos e histórias de vida. Todos eles vivem em uma instituição de acolhimento enquanto aguardam que a Justiça defina qual o seu destino: voltar para a família biológica ou ser encaminhados para adoção.
 
A realidade das 27 crianças que moram no Lar da Criança Padre Cícero, em Taguatinga, no Distrito Federal (DF), repete-se em outras instituições do país. Enquanto aguardam os trâmites judiciais e as tentativas de reestruturação de suas famílias, vivem em uma situação indefinida, à espera de um lar. Das 39.383 crianças e adolescentes abrigadas atualmente, apenas 5.215 estão habilitadas para adoção. Isso representa menos de 15% do total, ou apenas um em cada sete meninos e meninas nessa situação.

Aprovada em 2009, a Lei Nacional da Adoção regula a situação das crianças que estão em uma das 2.046 instituições de acolhimento do país. A legislação enfatiza que o Estado deve esgotar todas as possibilidades de reintegração com a família natural antes de a criança ser encaminhada para adoção, o que é visto como o último recurso. A busca pelas famílias e as tentativas de reinserir a criança no seu lar de origem podem levar anos. Juízes, diretores de instituições e outros profissionais que trabalham com adoção criticam essa lentidão e avaliam que a criança perde oportunidades de ganhar um novo lar.

“É um engodo achar que a nova lei privilegia a adoção. Em vez disso, ela estabelece que compete ao Estado promover o saneamento das deficiências que possam existir na família original e a ênfase se sobressai na colocação da criança na sua família biológica. Com isso, a lei acaba privilegiando o interesse dos adultos e não o bem-estar da criança”, avalia o supervisor da Seção de Colocação em Família Substituta da 1ª Vara da Infância e da Juventude do DF, Walter Gomes.

Mas as críticas em relação à legislação não são unânimes. O juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça Nicolau Lupianhes Neto avalia que não há equívoco na lei ao insistir na reintegração à família natural. Para ele, a legislação traz muitos avanços e tem ajudado a tornar os processos mais céleres, seguros e transparentes. “Eu penso que deve ser assim [privilegiar a família de origem], porque o primeiro direito que a criança tem é nascer e crescer na sua família natural. Todos nós temos o dever de procurar a todo momento essa permanência na família natural. Somente em último caso, quando não houver mais solução, é que devemos promover a destituição do poder familiar”, defende.

O primeiro passo para que a criança possa ser encaminhada à adoção é a abertura de um processo de destituição do poder familiar, em que os pais poderão perder a guarda do filho. Antes disso, a equipe do abrigo precisa fazer uma busca ativa para incentivar as mães e os pais a visitarem seus filhos, identificar as vulnerabilidades da família e encaminhá-la aos centros de assistência social para tentar reverter as situações de violência ou violação de direitos que retiraram a criança do lar de origem. Relatórios mensais são produzidos e encaminhados às varas da Infância. Se a conclusão for que o ambiente familiar permanece inadequado, a equipe indicará que o menor seja encaminhado para adoção, decisão que caberá finalmente ao juiz.

Walter Gomes critica o que chama de “obsessão” da lei pelos laços sanguíneos. “Essa ênfase acaba demonstrando um certo preconceito que está incrustado na sociedade que é a supervalorização dos laços de sangue. Mas a biologia não gera afeto. A lei acaba traduzindo o preconceito sociocultural que existe em relação à adoção.”

Uma das novidades introduzidas pela lei – e que também contribui para a demora nos processos - é o conceito de família extensa. Na impossibilidade de a criança retornar para os pais, a Justiça deve tentar a reintegração com outros parentes, como avós e tios. Luana* foi encaminhada ao Lar da Criança Padre Cícero quando tinha alguns dias de vida. A menina já completou 6 meses e ainda aguarda a decisão da Justiça, que deverá dar a guarda dela para a avó, que já cuida de três netos. A mãe de Luana, assim como a de vários bebês da instituição, é dependente de crack e não tem condições de criar a filha.

O chefe do Núcleo Especializado da Infância e Juventude da Defensoria Pública de São Paulo, Diego Medeiros, considera que o problema não está na lei, mas na incapacidade do Estado em garantir às famílias em situação de vulnerabilidade as condições necessárias para receber a criança de volta. “Como defensoria, entendemos que ela é muito mais do que a Lei da Adoção, mas o fortalecimento da convivência familiar. O texto reproduz em diversos momentos a intenção do legislador de que a prioridade é a criança estar com a família. Temos que questionar, antes de tudo, quais foram os esforços governamentais destinados a fortalecer os vínculos da criança ou adolescentes com a família”, aponta.

Pedro* chegou com poucos dias de vida ao Lar Padre Cícero. A mãe o entregou para adoção junto com uma carta em que deixava clara a impossibilidade de criar o menino e o desejo de que ele fosse acolhido por uma nova família. Mesmo assim, aos 6 meses de vida, Pedro ainda não está habilitado para adoção. Os diretores do abrigo contam que a mãe já foi convocada para dizer, perante o juiz, que não deseja criar o filho, mas o processo continua em tramitação. Na instituição onde Pedro e Luana moram, há oito crianças cadastradas para adoção. Dessas, apenas duas, com graves problemas de saúde, têm menos de 5 anos de idade.

Enquanto juízes, promotores, defensores e diretores de abrigos se esforçam para cumprir as determinações legais em uma corrida contra o tempo, a fila de famílias interessadas em adotar uma criança cresce: são 28 mil pretendentes cadastrados e apenas 5 mil crianças disponíveis (veja infográfico). Para a vice-presidenta do Instituto Brasileiro de Direito da Família, Maria Berenice Dias, os bebês abrigados perdem a primeira infância enquanto a Justiça tenta resolver seus destinos. 

“Mesmo que eles estejam em instituições onde são super bem cuidados, eles não criam uma identidade de sentir o cheiro, a voz da mãe. Com tantas crianças abrigadas e outras tantas famílias querendo adotar, não se justifica esse descaso. As crianças ficam meses ou anos depositadas em um abrigo tentando construir um vínculo com a família biológica que na verdade nunca existiu”, critica.
 
 
*Os nomes foram trocados em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) // Edição: Juliana Andrade e Lílian Beraldo

Fonte: Agência Brasil, 25/05/12, disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-05-25/apenas-uma-em-cada-sete-criancas-e-adolescentes-que-vivem-em-abrigos-pode-ser-adotada

Abuso policial mancha direitos humanos no Brasil, dizem EUA


Pablo Uchoa
Atualizado em  24 de maio, 2012 - 17:55 (Brasília) 20:55 GMT 
 
 
 
 
 
Patrulha na Rocinha
Relatório critica prisões superlotadas e abusos cometidos por polícias civis e militares dos Estados

As prisões superlotadas e os abusos cometidos pelas polícias Civil e Militar dos Estados, junto com a exploração sexual de crianças e adolescentes, continuam a ser os principais calcanhares de Aquiles da situação dos direitos humanos no Brasil, na visão do Departamento de Estado americano.

Ao publicar seu relatório anual sobre a situação dos direitos humanos no mundo – esta edição dedicada a 2011 –, as autoridades americanas criticaram também a discriminação contra minorias, mulheres e gays, a demora do Judiciário e a impunidade no Brasil.
 
A BBC Brasil contatou a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que não se pronunciou, argumentando que o governo brasileiro não faz comentários sobre relatórios unilaterais.

A avaliação do Departamento de Estado americano ocorre um dia antes de o país passar por sua sabatina periódica no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, uma sessão em que os próprios países avaliam os avanços e retrocessos de seus equivalentes, através de questionamentos e comentários.
Em ambas as avaliações internacionais, os problemas relatados no Brasil no ano passado são os mesmos.

"Os principais abusos de direitos humanos incluem as condições precárias das prisões; o tráfico de pessoas, principalmente para a exploração sexual de crianças e adolescentes; e o trabalho forçado", avaliou o Departamento de Estado, em seu sumário do país.

"Outros abusos incluem o uso da força excessiva, agressões, abuso e tortura de detentos e encarcerados por parte da polícia e autoridades prisionais; longas detenções sem julgamento e demora nos processos judiciais; violência e discriminação contra a mulher; violência contra crianças, incluindo abuso sexual; violência baseada em orientação sexual; discriminação contra indígenas e minorias; aplicação insuficiente das leis do trabalho; e trablaho infantil no setor informal."

Além disso, o documento notou que "o governo continua a processar autoridades que cometem abusos. Entretanto, longas apelações no Judiciário para alguns violadores de direitos humanos continuam sendo um problema".

O relatório do Departamento de Estado americano, que foi visto por 1 milhão de pessoas só no ano passado, é publicado há quatro décadas. Todo ano, as conclusões do documento são rebatidas pelas autoridades brasileiras, com base no argumento de que não aceitam avaliações bilaterais sobre seus temas internos.

 

ONU

Os temas levantados pelas autoridades americanas são os mesmos que preocupam a comunidade internacional que questionou o Brasil dentro do mecanismo de revisão periódica a que todos os países do Conselho da ONU são submetidos.

As perguntas enviadas ao país de antemão mostram que os temas não são só esses. Por exemplo, a Alemanha e a Dinamarca lembraram que o relator da ONU sobre execuções sumárias e extrajudiciais, Philip Alston, notou em 2010 que as execuções continuavam em "grande escala" no país e que "quase nenhuma medida foi tomada para tratar das matanças por policiais fora de serviço".

A Holanda questionou se o Brasil está levando em conta os direitos humanos de pessoas afetadas por projetos de infraestrutura, uma crítica levantada frequentemente na construção da usina de Belo Monte e que voltará a ser colocada em Genebra por organizações pró-indígenas.

O Reino Unido – que o Brasil alfineta desde a morte do eletricista Jean Charles de Menezes em Londres em 2005 – lembrou que jornalistas ainda são assassinados no Brasil por tentar desvendar esquemas de corrupção.

E muitos questionaram a proteção da vida de ativistas de direitos humanos – um tem recorrente cada vez que ativistas ambientais são assassinados na Amazônia, sem que os crimes sejam punidos.

Sem rejeitar as críticas, mas reconhecendo que é preciso avançar mais em muitas delas – por exemplo, na reforma do sistema prisional – o país tem dito que está no caminho certo dos direitos humanos.

"O Brasil, assim como todos os demais países do mundo, ainda tem um longo caminho a percorrer para que os direitos humanos sejam plenamente efetivados", disse a ministra da Secretaria, Maria do Rosário Nunes, ao conselho da ONU Genebra em fevereiro deste ano. "Estamos decididos a trilhá-lo."

 

Primavera Árabe

Brasil à parte, o relatório sobre os direitos humanos no mundo do Departamento de Estado americano destacou que a Primavera Árabe, embora "inspiradora", criou muita "instabilidade no Oriente Médio".

Introduzindo o relatório aqui em Washington, a secretária de Estado Hillary Clinton disse que "em muitos lugares, os governos continuam a engessar as aspirações de seu próprios povos".

"Em alguns lugares, não se trata apenas de um ataque à liberdade de expressão, mas às vidas humanas em si", disse Clinton, citando especificamente a Síria.

"O desejo de mudança que testemunhamos na Tunísia, Egito, Líbia, Iêmen e Síria é inspirador, no entanto a mudança frequentemente cria instabilidade antes de levar a um maior respeito pela democracia e os direitos humanos."

Na América Latina, o relatório criticou a falta de liberdade política em Cuba e destacou a situação da Colômbia, onde o governo "tem combatido o clima de impunidade no que diz respeito ao tratamento, intimidação e assassinato de ativistas de direitos humanos, jornalistas, professores e sindicalistas", nas palavras do secretário-assistente, Michael Posner.

"Assassinatos extrajudiciais declinaram em grande medida devido aos esforços do governo de conter esses crimes", disse Posner.

Fonte: BBC Brasil, 24/05/12, disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/05/120524_eua_dh_brasil_pu_ac.shtml

Conselho quer retirar do ar quadros do programa Pânico na Band


Da Agência Brasil

Brasília - O Conselho Distrital de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos entrou hoje (24) no Ministério Público Federal (MPF) com uma representação em que pede a retirada do ar dos quadros A Academia das Paniquetes e O Maior Arregão do Mundo, exibidos no programa Pânico na Band. Para o conselho, a atração da emissora de TV Band reproduz exemplos negativos para crianças e adolescentes, estimula a discriminação e constrange a figura feminina.

O documento foi entregue nesta tarde ao subprocurador-geral da República, Aurélio Virgílio Veiga, pelo presidente do conselho, Michel Platini. A vice-presidenta da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, Erika Kokay (PT-DF), também participou da reunião.

Na audiência, Aurélio Virgílio recebeu a representação e disse que o documento será encaminhado até amanhã (24) à Procuradoria Regional da República do Estado de São Paulo. Segundo Virgílio, será feita uma recomendação imediata quanto ao horário de veiculação do programa. A intenção é que a exibição seja feita em horário que resguarde crianças e adolescentes. “A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão não defende programas que utilizem a humilhação dos outros como forma diversão de alguns”, argumentou o subprocurador.

“Em um caso como esse, em que há violação dos direitos humanos, tradicionalmente trabalhamos pensando na classificação indicativa. Temos muita preocupação de tomar atitudes drásticas que possam ser entendidas como censura ou cassação, até por ser uma concessão pública. Vamos tentar buscar através da reclassificação indicativa a possibilidade efetivamente eficaz para resolver o problema”, disse Aurélio Virgílio.

O conselho sugere que, no horário da veiculação do programa (às 21h), sejam exibidos vídeos educativos com a finalidade de combater todas as formas de trote, divulgando uma cultura de paz, que enfrente a discriminação e combata a exposição vexatória das mulheres. Procurada pela Agência Brasil, a emissora informou por e-mail que não comentará a representação.

O presidente do conselho, Michel Platini, disse que crianças e adolescentes estão entre os telespectadores do programa, que “cultua atos de violência e agressividade”. “[Isso nos] preocupa muito. Não podemos deixar que um programa nacional influencie nossa sociedade negativamente”, disse ele.

“O programa excede os limites, veicula trotes, naturalizando esse comportamento e educando o seu público a reproduzir esses atos em outros ambientes, inclusive nas escolas. A cada edição, os direitos humanos são afrontados, eles [responsáveis pelo programa] não têm ideia dos desdobramentos que podem causar”, destacou Platini.
 
O último balanço feito pela coordenação da campanha Quem Financia a Baixaria é contra a Cidadania revelou que o programa Pânico na TV, que era veiculado pela pela emissora Rede TV e passou a ser transmitido pela Band, lidera o ranking de reclamações de telespectadores. A campanha tem o apoio da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.
 
Edição: Talita Cavalcante e Juliana Andrade

Fonte: Agência Brasil, 24/05/12, disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-05-24/conselho-quer-retirar-do-ar-quadros-do-programa-panico-na-band

Coordenador Especial de Igualdade Racial recebe Troféu Fortaleza Liberta

Na noite de ontem, 24/05, a Coordenadoria Especial de Políticas Públicas dos Direitos Humanos (COPDH) prestigiou a entrega do Troféu Fortaleza Liberta ao Coordenador Especial de Política Públicas para Igualdade Racial do Governo do Estado (CEPPIR), Ivaldo Paixão.

O troféu homenageia pessoas e instituições que se dedicam à promoção da igualdade racial no Ceará e à promoção da cultura afrobrasileira. Também foram homenageados, o Coordenador de Políticas de Igualdade Racial da Secretaria de Direitos Humanos de Fortaleza, Luiz Bernardo, a Diretora Executiva do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Isabel  Cristina e, representando o tio-avô Barão de Studart, Oswaldo Studart. A data da da entrega, 24 de maio, remonta aos 24 de maio de 1883, data em que Fortaleza aboliu a escravatura, tornando-se a primeira metrópole nacional a fazê-lo.

O projeto Fortaleza Liberta, atualmente na terceira edicão, é uma iniciativa do produtor cultural Franciscus Galba e da Letra Viva Cultura Inteligente. O evento prossegue pelos meses de maio e junho com os seguintes eventos:

• EXIBIÇÃO DE VÍDEOS/BAILE DA “FORTALEZA LIBERTA”
Local: Mercado dos Pinhões
Data: Quinta-Feira, 31 de maio de 2012
Ação/Atividade 01: “Exibição” de vídeos com temática da cultura afro-brasileira
Horário: 18h30 as 20h
Ação/Atividade 02: “Baile da Fortaleza Liberta” que conta com apresentação do músico Marcelo Leite & Grupo, interpretando gêneros musicais que existiam no Brasil no período da abolição da escravatura, ou seja, na segunda metade do século XIX (valsas, polcas, mazurcas, lundu, choro e maxixe), acompanhados de grupo de dançarinos que apresentarão performances das danças lundu e maxixe
Horário: 20h as 22h

• AFOXÉ OXUM ODOLÁ SAÚDA A “FORTALEZA LIBERTA” – Apresentação especial do Afoxé Oxum Odolá comemorando os 129 anos do fato histórico da libertação dos escravos em Fortaleza
Local: Passeio Público
Data: Domingo, 10 de junho de 2012
Horário: Das 15h as 18h

Nas fotos, da esquerda para direita: 1) Ivaldo Paixão, Franciscus Galba e Luiz Bernardo; 2) Marcelo Uchôa e Ivaldo Paixão.
 
Fonte: ASCOM / COPDH, com informações de Liberta Fortaleza 3a Edição, in
http://www.letravivaci.com.br/?p=235

COPDH participa de Seminário Regional de Equidade em Saúde

Na manhã desta quinta-feira (24/05), Neyla Meneses, Assessora da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas dos Direitos Humanos (COPDH) participou do Seminário Regional de Gestão Estratégica e Participativa, Políticas de Promoção de Equidade e Controle Social envolvendo os Estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. O evento foi uma iniciativa do Ministério da Saúde, através da Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa.

O objetivo do Seminário foi contribuir e estimular a participação das lideranças dos movimentos sociais e apoiar o funcionamento dos Conselhos de Saúde. Na ocasião, foi discutido como a gestão participativa poderia contribuir nas resoluções da 14ª conferencia, a elaboração do Plano Operativo da Política para a população LGBT, o impacto dos agrotóxicos na saúde e no meio ambiente para a população do campo e da floresta, saúde LGBT (cirurgia de readequação sexual ou transgenitalização), entre outros assuntos. 

Fonte: ASCOM / COPDH, 25/05/12, disponível em: http://copdhce.blogspot.com.br/2012/05/copdh-participa-de-seminario-regional.html

Deputado defende aprovação de cotas raciais para universidades estaduais


A iniciativa é do deputado Dedé Teixeira, que retomou a discussão de uma PEC apresentada no ano passado. A ideia, contudo, enfrenta resistência na Assembleia 

O deputado Dedé Teixeira (PT) voltou a defender, nesta quinta-feira (24), a aprovação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de sua autoria que reserva 50% das vagas em universidades do Estado (UVA, Urca e Uece) para alunos que tenham cursado o ensino médio em escolas públicas. A iniciativa, entretanto, enfrenta resistência de parte dos parlamentares.

A deputada Dra. Silvana (PMDB) se disse a favor dos mais necessitados, mas não admite que pessoas que se sacrificaram muito para ter um ensino de qualidade em escolas privadas corram o risco de perder sua vaga na universidade por conta das cotas. "Sou totalmente contra a sua proposta, deputado. Não votarei a favor", disse a peemedebista.

Outro parlamentar que se colocou contra a PEC - apresentada na legislatura passada - foi Lucílvio Girão, também do PMDB. Para ele, é essencial que primeiro se invista na base, para garantir condições de igualdade para todos os estudantes, independentemente de sua classe social ou origem étnica. "Esses alunos (da escola pública) vão encontrar na universidade alunos da escola particular com maior grau de conhecimento. Não sei como eles vão acompanhar. Tem que investir na qualidade do ensino da escola pública. Tem que melhorar ensino médio e fundamental", defendeu.

A favor da proposta se colocou a deputada Eliane Novais (PSB). Para ela, a PEC vem "recuperar as violações históricas sofridas por esses segmentos". Ela destacou que 64,9% da população cearense é formada por pessoas pretas e pardas. "São a maioria aqui e eles são segregados. 

Essa é uma chance de recuperar a história dessas pesssoas, tendo a chance de uma vaga na universidade pública. Chegando lá eles vão ter a oportunidade de ser tão bons ou até melhores que os alunos egressos das escolas privadas", sublinhou.

Segundo Dedé Teixeira, o debate volta à pauta impulsionado pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) a favor da legalidade das cotas raciais para o ingresso na Universidade de Brasília (UNB), por 10 votos a zero. A constitucionalidade da política de cotas havia sido questionada pelo DEM, que alegou violação aos princípios da igualdade e da razoabilidade. "Vamos esperar que o Senado, depois da decisão do STF, possa aprovar a política de cota nas universidades federais", disse.

"Nós aqui somos exceções, por que a maioria do povo não teve acesso a ensino de qualidade. Por isso a política de acesso via cotas é justa, para que alunos da escola pública tenham oportunidade de frequentar a universidade", argumentou.


da Redação do O POVO Online

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Denúncias de violação a direitos crescem 30% com campanha do governo e depoimento de Xuxa

24/05/2012 - 12h19

Alex Rodrigues
Repórter Agência Brasil

Brasília - Somente nos dois primeiros dias desta semana, o Disque Direitos Humanos – Disque 100 recebeu 285.051 mil ligações. Segundo a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, órgão responsável pelo serviço, o total de ligações recebidas nessa segunda-feira (21) e terça-feira (22) representa aumento de 30% em comparação ao mesmo período da semana anterior.

De acordo com a secretaria, resultado semelhante só havia sido registrado em dezembro do ano passado, quando foi realizada campanha nacional de divulgação do Disque Direitos Humanos – Disque 100 nos principais canais abertos de televisão. Na ocasião, o número de ligações direcionadas ao serviço alcançou o pico de 198.592 chamadas em um único dia.

Em nota divulgada no final da noite de ontem (23), a secretaria associa o crescimento da demanda a dois motivos. De um lado, à intensificação, nos últimos dias, da divulgação do serviço por conta do Dia Nacional de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que aconteceu na última sexta-feira (18).

Outra razão considerada importante para o elevado número de ligações ao serviço, criado para receber denúncias de violação à dignidade das pessoas, foi a repercussão do depoimento prestado pela apresentadora de TV Maria das Graças Xuxa Meneghel em entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo.

Entrevistada para o quadro O Que Vi da Vida, exibido no último domingo (20), Xuxa revelou que foi vítima de abuso sexual durante a infância e adolescência.

A apresentadora disse ainda que, à época, não contou nada aos pais por medo de que ninguém acreditasse nela. Como conseqüência, disse que até hoje é perseguida pela dúvida de ter alguma “culpa” pelo que lhe aconteceu.

Devido à repercussão, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes pretende convidar a apresentadora de TV Maria das Graças Xuxa Meneghel para participar, na Câmara dos Deputados, em Brasília, de uma audiência pública que discutirá os casos de abusos sexuais contra menores de idade.

A Secretaria de Direitos Humanos esclareceu que as 285.051 mil ligações não dizem respeito unicamente à denúncia de casos de abuso ou exploração sexual contra menores. Como o serviço é mais amplo, há desde denúncias de outros gêneros de violações aos direitos humanos, inclusive de adultos, a pedidos de informação.

A demanda dos últimos dias tem relação também com o crescimento das denúncias, desde o início do ano. De janeiro a abril de 2012, o módulo Criança e Adolescente recebeu 34.142 chamadas relacionadas ao tema, que representa 71% de aumento em relação ao mesmo período do ano anterior

A expectativa do Departamento Nacional de Ouvidoria de Direitos Humanos é que, com mais gente conhecendo o serviço, o número de registros continue aumentando. Tanto que mais 90 teleatendentes já estão sendo capacitados para atender à população a partir da primeira semana de junho.

O Disque Denúncia funciona 24 horas por dia, durante todos os dias da semana, inclusive feriados. Basta ligar, de qualquer cidade, para o número 100, para denunciar violações aos direitos de crianças, adolescentes, idosos, portadores de deficiências físicas e de grupos em situação de vulnerabilidade, ou ainda para obter informações. A pessoa não precisa se identificar.

Edição: Davi Oliveira

Fonte: Agência Brasil, 24/05/12, dosponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-05-24/denuncias-de-violacao-direitos-crescem-30-com-campanha-do-governo-e-depoimento-de-xuxa

Lançado Comitê Estadual de Enfrentamento às Drogas

Na manhã desta quinta-feira, 24/05, a Coordenadoria Especial de Políticas Públicas dos Direitos Humanos do Governo do Estado (COPDH) prestigiou o lançamento do Comitê Estadual de Enfrentamento às Drogas no âmbito do Ministério Público (MPE). A solenidade se deu na sede da Procuradoria Geral de Justiça, em Fortaleza.

O Comitê, oficialmente lançado pelo Procurador-Geral de Justiça, Dr. Alfredo Ricardo Cavalcante Machado, será presidido pela Vice-Procuradora Geral, Dra. Eliani Alves Nobre, sendo integrado por procuradores de justiça e promotores responsáveis pelas seguintes comissões técnicas no âmbito do MPE: saúde, educação, idosos e pessoas com deficiência, infância e juventude, combate à violência doméstica contra a mulher e direitos humanos.  A Dra. Isabel Porto, titular da Comissão de Saúde, será a Secretária-Executiva do novo Comitê.

Compuseram a mesa de honra, ao lado do Procurador Geral de Justiça e da Vice-Procuradora, representantes do Tribunal de Justiça do Estado, da Defensoria Pública, da Associação Cearense do Ministério Público, da Escola Superior do Ministério Público, além do titular da COPDH, Marcelo Uchôa.

Após a solenidade de lançamento oficial do Comitê, prestigiada por inúmeros representantes da sociedade civil e autoridades do poder público, a exemplo do Secretário Estadual da Saúde, Dr. Arruda Bastos, o Magnífico Reitor da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e médico sanitarista, prof. José Jackson Sampaio Coelho, palestrou sobre “Dependência química e combate às drogas”. Finalizando o ato, o promotor de Justiça de Pernambuco, Carlos Eduardo Domingos Seabra, apresentou o projeto “Pernambuco contra o crack”. 

A parte lúdica da programação ficou por conta do grupo de dança regional dos alunos da escola João Matos que apresentaram o forró e o baião.

Fonte: ASCOM / COPDH, 24/05/12, disponível em: http://copdhce.blogspot.com.br/2012/05/lancado-comite-estadual-de.html

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Comissão da Anistia nega indenização ao Cabo Anselmo, agente duplo na ditadura

Tema aguardava uma decisão desde 2004, quando foi protocolado pedido de anistia; ele colaborou com regime militar e a resistência

iG São Paulo |

A Comissão da Anistia do Ministério da Justiça negou na noite desta terça-feira o pedido de reparação e ao ex-marinheiro José Anselmo dos Santos, de 70 anos, mais conhecido como Cabo Anselmo. Dos 60 mil casos analisados, este foi o primeiro que tratou de um agente duplo, que atuou tanto como colaborador do regime militar quanto na resistência à ditadura.

O assunto aguardava uma decisão desde 2004, quando Cabo Anselmo protocolou o pedido de anistia, alegando que, antes de colaborar com o regime, na década de 1970, foi perseguido, preso e exilado, na década de 1960. Ele pediu à Comissão de Anistia uma reparação de R$ 100 mil.

Segundo as alegações do Cabo Anselmo, ele fez parte da oposição do início do golpe militar, que depôs o governo legalmente constituído de João Goulart, em 1964. Mudou de lado, afirma, no início da década de 1970, após ter sido preso em São Paulo pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury - um dos agentes mais ativos e emblemáticos do período da ditadura. 

O relator do caso, o ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos e atual presidente da Fundação Perseu Abramo, Nilmário Miranda, votou, no entanto, pelo indeferimento do pedido, avaliando que, além das dúvidas de que Anselmo era agente infiltrado desde o início do regime militar, “não cabe ao Estado, em nenhuma hipótese, reconhecer anistia a pessoa que participou em atos de repressão ilícita e, portanto, não cabe discutir sobre eventuais reparações”.

De acordo com o Ministério da Justiça, há registros de que informações fornecidas por ele contribuíram para a morte de mais de 200 opositores ao regime, incluindo militares e a mulher dele, a paraguaia Soledad Viedma, que, na época, estava grávida de sete meses.

Segundo informações da assessoria do ministério, para esclarecer os fatos envolvendo a atuação do Cabo Anselmo, foram feitas pesquisas em diferentes arquivos. O relator do caso, Nilmário Miranda, teria analisado cerca de quatro mil documentos, alguns ainda inéditos.

Como esse julgamento foi de turma, composta por 12 conselheiros, Cabo Anselmo ainda pode recorrer ao plenário da comissão, com um total de 24 conselheiros. Seu procurador, no entanto, o advogado Luciano Blandy, disse que não tem contato com o cliente desde novembro de 2011 e que se comunica com ele por meio de amigos próximos. Por isso, ainda não sabe se vai recorrer da decisão. O prazo para recurso é de um mês. 
 
Além do caso envolvendo Cabo Anselmo, a Comissão de Anistia julgou nesta terça-feira os pedidos de Ana Lúcia Valença de Santa Cruz Oliveira e Anivaldo Pereira Padilha, pai do ministro da Saúde , Alexandre Padilha. Ambos, no entanto, foram considerados anistiados políticos e terão direito à indenização. 

Com Agência Brasil

Fonte: Último Segundo, 22/05/12, disponível em: http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2012-05-22/comissao-da-anistia-nega-indenizacao-ao-cabo-anselmo-agente-dupl.html 

Trabalhadores comemoram aprovação da PEC do Trabalho Escravo e ruralistas querem mudanças no Senado


22/05/2012 - 21h28
Iolando lourenço
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Trabalho Escravo, hoje (22), em segundo turno, repercutiu bem entre a maioria dos deputados, dos trabalhadores rurais e dos defensores dos direitos humanos. 

Para o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marco Maia (PT-RS), a aprovação da PEC é uma demonstração de que o Parlamento não concorda com o trabalho escravo.

“O importante é a demonstração que o Parlamento passou ao Brasil que não é mais possível que convivamos com situação análoga ao trabalho escravo. Foram nove anos entre a votação do primeiro e do segundo turno da PEC”, disse Marco Maia. Ele informou que irá trabalhar para que a comissão formada por cinco deputados e cinco senadores, depois de acordo entre as duas Casas, produzam um texto a ser votado pelo Senado “diferenciando aquilo que é trabalho escravo e aquilo que é desrespeito à legislação trabalhista”.

“Precisamos ajustar melhor a legislação, inclusive, para estabelecer prazos, definir quem tem o poder de julgar as situações onde for necessária a desapropriação de terras em função de trabalho escravo”, disse o presidente da Câmara. Segundo ele, a intenção do acordo firmado com o Senado “é fazer um texto estabelecendo a diferença entre trabalho escravo e desrespeito à legislação trabalhista”.

Mas a avaliação positiva da PEC não foi unânime. Para o vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), o que foi aprovado hoje “é o arbítrio dos fiscais”. Ele disse que os agricultores não concordam com o trabalho escravo, mas que votou contra a PEC porque não foram corrigidas as distorções nela existentes. “Tentamos, exaustivamente, um acordo até a hora da votação para uma proposta que alterasse o Código Penal, uma vez que essas questões constantes da PEC são trabalhistas e não de trabalho escravo. O assunto é puramente trabalhista. Esperamos que o Senado faça as correções que não conseguimos fazer aqui”.

A votação da PEC foi acompanhada por dezenas de representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e de outras entidades de trabalhadores favoráveis à aprovação da proposta. “É uma vitória histórica para os trabalhadores do campo”, disse a diretora da Contag, Alessandra Lunas.

O texto da PEC que será enviado ao Senado estabelece que as propriedades rurais e urbanas onde forem encontradas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei.
 
A PEC também estabelece que todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico de entorpecentes e drogas afins e da exploração de trabalho escravo será confiscado e reverterá a fundo especial com destinação específica.
 
Edição: Lana Cristina

Fonte: Agência Brasil, 22/05/12, disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-05-22/trabalhadores-comemoram-aprovacao-da-pec-do-trabalho-escravo-e-ruralistas-querem-mudancas-no-senado