quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Revolução de 68 em conferência

14.11.2012

Para resgatar todo o contexto de luta e resistência à violenta ditadura que marcou a história do País na década de 60, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura realiza neste mês o ciclo temático "Nós que Amávamos Tanto a Revolução". A programação especial terá início hoje, com o seminário "A Ideia de Revolução", do professor Marcelo Ridenti.

Às 19h, no Auditório, o especialista abordará questões referentes ao discurso revolucionário que caracterizou a década de 60. Ridenti irá refletir sobre como o discurso de revolução foi construído no Brasil.

Algumas questões pontuais da conferência são: tivemos, de fato, uma revolução naqueles anos? Como a cultura e a política se entrecruzaram neste período? E hoje, é possível falar de revolução? A palestra remete ao último livro de Ridenti, intitulado "Brasilidade Revolucionária - Um século de cultura e política", lançado em 2010.

Currículo
Marcelo Ridenti é graduado em Ciências Sociais e Direito pela Universidade de São Paulo (USP). Doutor em Sociologia, é também professor titular da disciplina na Unicamp, desde 2005.

O pesquisador Integra a Coordenação de Ciências Humanas e Sociais na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Foi Secretário Executivo da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS, 2004-2008).

É especialista nos temas: cultura; arte e política; esquerda brasileira; intelectualidade brasileira; pensamento marxista; ditadura militar brasileira; anos 1960. Autor de diversos títulos, entre os quais "Em busca do Povo Brasileiro" e "O Fantasma da Revolução Brasileira", que contribuíram significativamente para redesenhar a historiografia da produção intelectual e artística da esquerda brasileira.

Mais informações:
Seminário "A Ideia de Revolução", com Marcelo Ridenti. Hoje, às 19h, no Auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (R. Dragão do Mar, 81). Gratuito. Contato: (85) 3488.8602 


Fonte: Diário do Nordeste, 14/11/12, disponível em: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1203152

Semana Marighella


Brasil, Venezuela, EUA e Alemanha entram no Conselho de Direitos Humanos da ONU

Alemães e americanos conquistaram a liderança pelo grupo ocidental da organização

AFP
 
Os Estados Unidos e a Alemanha venceram uma votação acirrada nesta segunda-feira (12) entre os países ocidentais por assentos no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em uma eleição amplamente questionada.

Estados Unidos, Alemanha e Irlanda foram eleitos pela Assembleia Geral de 193 membros, enquanto Brasil, Argentina, Venezuela, Paquistão e Etiópia também estão entre os outros 15 países que obtiveram assentos em acordos prévios de grupos regionais.

Organizações de direitos humanos condenaram esses acordos regionais na Assembleia Geral, que deram assentos no conselho a países que são questionados por seu desempenho em matéria de direitos humanos.
 
Estados Unidos, Alemanha e Irlanda conquistaram seus lugares após uma votação aberta para designar os países ocidentais.
Todas as outras regiões designaram seus candidatos com listas fechadas, sem eleição competitiva.

Costa do Marfim, Etiópia, Gabão, Quênia e Serra Leoa ingressaram no Conselho pela África; Japão, Cazaquistão, Paquistão, Coreia do Sul e os Emirados Árabes Unidos pela Ásia; Argentina, Brasil e Venezuela pela América Latina e Caribe; Estônia e Montenegro pela Europa.
A Venezuela conquistou 154 votos, mais do que os Estados Unidos (131) e a Alemanha (127).

"Chamar de eleição a votação da Assembleia Geral é dar muito crédito a este processo", disse Peggy Hicks, um especialista em monitoramento de direitos humanos. "Enquanto não houver uma concorrência real por assentos no Conselho de Direitos Humanos, os padrões de seus membros serão mais retóricos do que reais".

Peter Wittig, embaixador alemão na ONU, afirmou que a competição aberta das nações ocidentais deveria ser "um exemplo para outros grupos regionais".
 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Ministra ressalta papel dos Centros de Referência em Direitos Humanos na garantia de direitos à população

Data: 13/11/2012
13/NOV/12 - Ministra ressalta papel dos Centros de Referência em Direitos Humanos na garantia de direitos à população 
A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), afirmou nesta segunda-feira (12), durante a abertura do 2º Encontro Nacional dos Centros de Referência em Direitos Humanos, que o trabalho conjunto entre a SDH e os Centros de Referência tem o objetivo de ressignificar o papel do estado e coloca-lo a serviço de todos. “A nossa relação é de complementariedade, então é muito bom que a referência seja produzida de forma comum entre nós, precisamos muito dos centros para que o Brasil seja terra e pátria de Direitos Humanos”.  

Os centros de referência em Direitos Humanos surgiram a partir de experiências realizadas por órgãos públicos e organizações não-governamentais que possibilitam o acesso da população de baixa renda a serviços essenciais como, por exemplo, assistência jurídica e documentação civil básica. Assim, os Centros de Referência em Direitos Humanos tem atuado como mecanismos de defesa, promoção e acesso à justiça e estimulando o debate sobre cidadania influenciando positivamente na conquista dos direitos individuais e coletivos.

O objetivo do encontro, que irá até quarta-feira (14), é a troca de experiências entre os representantes dos centros, a partir da apresentação das atividades desenvolvidas nas localidades.  

Reflexões - Para promover reflexões em torno do tema dos Direitos Humanos aos representantes dos Centros de Referencia, a SDH/PR convidou o escritor e professor universitário Leonardo Boff, que fez a palestra magna de abertura. 

Segundo Boff, a percepção e o sentimento de pertencimento que o encontro entre os diversos centros trazem, reforçam a luta local de cada um deles. “Troquem as experiências, façam a ecologia das experiências e do saber, para o alargamento da consciência e dos nossos direitos”, orientou. 

Ao longo do encontro estão sendo realizadas oficinas sobre temas como comunicação, produção de conhecimento, capacitação em Direitos Humanos e temas como DST/AIDS e Hepatites Virais, que contarão com a participação de representantes do Ministério da Saúde.  
    
Assessoria de Comunicação Social

Fonte: SDH-PR, 13/11/12, disponível em: http://portal.sdh.gov.br/clientes/sedh/sedh/2012/11/13-nov-12-ministra-ressalta-papel-dos-centros-de-referencia-em-direitos-humanos-na-garantia-de-direitos-a-populacao-1

Diminuem as desigualdades entre negros e não negros no mercado de trabalho


13/11/2012
Marli Moreira
Repórter da Agência Brasil


São Paulo - Embora os trabalhadores negros ainda tenham, na média, salários mais baixos do que os da população não negra, as diferenças, tanto de rendimento quanto de participação no mercado de trabalho, estão diminuindo, segundo levantamento apresentado hoje (13) pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Fundação Seade).


O estudo foi feito com base na Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da própria fundação e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Em 2011 o rendimento dos negros correspondia a 61% do valor recebido pelos brancos, nos 39 municípios da região metropolitana de São Paulo. Em 2002, essa proporção era inferior, 54,6%. Enquanto os negros ganhavam, em 2011, o valor médio de R$ 6,28 por hora, os não negros recebiam R$ 10,30.

A diferença entre as taxas de desemprego de negros e não negros diminuiu nos últimos anos, embora a do primeiro segmento ainda supere a do segundo, em 2011 (12,2% e 9,6%, respectivamente). Essa diferença, de 2,6 pontos percentuais, correspondia a 7,2 pontos percentuais, em 2002.
 
Edição: Lílian Beraldo

Fonte: Agência Brasil, 13/11/12, disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-11-13/diminuem-desigualdades-entre-negros-e-nao-negros-no-mercado-de-trabalho

Apenas 79 cidades no Brasil têm legislação municipal contra homofobia, diz IBGE







 
Hanrrikson de Andrade Do UOL, no Rio

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta terça-feira (13) mostram que apenas 79 cidades no país possuíam, em 2011, legislação contra a homofobia. A estatística representa somente 1,4% do total de municípios, e faz parte da amostra Perfil dos Municípios Brasileiros, a Munic.

 

POR ESTADO

  • PE: 48 cidades Possuem políticas ou ações anti-homofobia.

  • MG: 45 cidades Não têm programa, mas desenvolvem algum tipo de ação ou programa piloto.

  • SP: 44 cidades Possuem projeto piloto de coleta seletiva em áreas restritas.

Em relação a políticas desenvolvidas pelos órgãos locais de direitos humanos com foco no universo LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais), apenas 14% (383 cidades) declararam ter projetos dessa natureza, independentemente da questão normativa.

Considerando o total de cidades no Brasil (5.565), o que inclui aquelas que não têm secretarias específicas ou órgãos direcionados para a questão de direitos humanos, 8,7% (486 cidades) possuíam ações ou projetos com o intuito de combater a violência contra homossexuais.

Entre as 79 cidades cujos vereadores aprovaram medidas anti-homofobia, há predominância nas regiões Sudeste e Nordeste, com 29 cada. Enquanto isso, apenas 99 municípios (1,8%) desenvolviam, em 2011, programas acerca do reconhecimento de direitos, e 54 (1%) sobre o reconhecimento do nome social adotado por travestis e transsexuais.

Arte/UOL
Os Estados do Acre e de Roraima, na região Norte, são os únicos no país que não possuem um órgão municipal, seja secretaria, comissão ou grupo representativo, direcionado para o enfrentamento da homofobia, segundo a pesquisa do IBGE.

Por outro lado, o maior número de municípios cujas prefeituras abordam o tema através de órgãos específicos está em Minas Gerais (41 cidades), seguido por Pernambuco (36), São Paulo (34) e Bahia (32).

A Munic 2011 mostra ainda que, entre todas as ações desenvolvidas pelos órgãos locais de direitos humanos, os projetos que visam aos direitos da população LGBT estão em menor número, assim como aqueles voltados para as testemunhas ameaças de morte.

Ranking de políticas desenvolvidas por órgãos municipais de direitos humanos, segundo o IBGE


Parada Gay 2012
Foto 90 de 90 - Participantes se divertem na tarde deste domingo (10) durante a 16ª edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, na rua da Consolação Mais Leonardo Soares/UOL

Tramita no Senado o projeto de lei 122/06, que criminaliza a homofobia no Brasil. O projeto foi apresentado originalmente pela então deputada Iara Bernardi (PT-SP) em 2001. Só no Senado, a tramitação já dura seis anos. Atualmente, o projeto, cujo relatório estava sendo elaborado pela senadora Marta Suplicy (PT-SP), aguarda desde o dia 18 de setembro a designação de um novo relator na CDH (Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa). Marta assumiu o Ministério da Cultura em substituição à cantora e compositora Ana de Holanda no dia 13 do mesmo mês.

 

Educação inclusiva

Dos seis temas considerados pelo IBGE para analisar as políticas de educação inclusiva no país, o que diz respeito à manutenção de homossexuais nas escolas está presente em apenas 8,4% dos municípios.

Apesar da visibilidade gerada pela polêmica recente envolvendo o kit anti-homofobia, o tema ainda é negligenciado em muitas cidades pelo Brasil, conforme observa a Munic 2011. Questões como a instalação de recursos multifuncionais e a acessibilidade são predominantes.

"O debate, nunca antes tão aquecido, é pautado por questões relativas à visibilidade, orgulho, respeito, direitos civis e cidadania e, na escola, acompanha o atendimento de novas demandas, a exemplo do uso do nome social de travestis e transexuais no diário de classe", afirma o IBGE.

Percentual temático dos municípios que declararam ter políticas educacionais inclusivas

 

Crianças e adolescentes

Em relação a 2009, a proporção de municípios que declararam possuir políticas específicas para crianças e adolescentes cresceu 8,1 pontos percentuais, alcançando 96,3% (5.358) do total de municípios em 2011. De acordo com o IBGE, todos os municípios com mais de 100 mil habitantes possuíam algum programa nesse segmento.

Dentre as ações, destacam-se as de enfrentamento ao trabalho infantil e de promoção do lazer, ambas adotadas em 3.918 municípios (70,4% do total); de atendimento à criança e ao adolescente com deficiência, 3.802 municípios (68,3% do total); e de enfrentamento à violência sexual, 3.768 municípios (67,7% do total).

Em 2011, 5.077 municípios declararam possuir políticas, programas ou ações para idosos, sendo mais frequentes os programas orientados para promoção de saúde (4.374 municípios), acessibilidade (2.911 para espaços públicos e 1.386 para transporte) e enfrentamento da violência (2.486 municípios).


IBGE divulga Perfil dos Municípios Brasileiros
Foto 17 de 23 - Morador de rua na região central do Rio de Janeiro. Em 2011, 1.373 municípios possuíam programa ou ação direcionado à população em situação de rua, representando 24,7% do total Ricardo Moraes/Reuters

 

População de rua

Em 2011, 1.373 municípios possuíam programa ou ação direcionado à população em situação de rua, representando 24,7% do total. Dentre os com órgãos de direitos humanos, 37,7% (1.030) se declararam responsáveis por executar programas destinados a essa população.

O Centro-Oeste possuía o maior percentual de municípios com essa política --33,5% (156 municípios)--, enquanto a região Norte possuía a menor --17,6% (79 municípios). Por ser um fenômeno urbano, segundo o IBGE, observa-se predominância dessa política em cidades mais populosas, existindo em 92,1% dos municípios com mais de 500 mil habitantes.

 

Pessoas com deficiência

No Brasil, em 2011, 3.759 cidades (67,5,% do total) possuíam algum tipo de intervenção na área dos direitos das pessoas com deficiência. Apesar de 2.297 municípios declararem possuir politicas de acessibilidade a espaços públicos de esporte e lazer, apenas 97 municípios possuem legislação que assegure o ingresso de cão-guia em espaços culturais, artísticos e desportivos.
Tércio Teixeira/Futura Press  
Manifestantes cobram a aplicação da da Lei de Cotas para pessoas com deficiência
Em relação aos direitos da criança e do adolescente, 96,3% (5.358) do total de municípios possuem políticas específicas. Destacam-se as ações de enfrentamento ao trabalho infantil e de promoção do lazer, ambas adotadas em 3.918 municípios (70,4% do total) ou de atendimento à criança e ao adolescente com deficiência, 3.802 municípios (68,3% do total) ou e de enfrentamento à violência sexual, 3.768 municípios (67,7% do total).

No ano passado, 5.077 municípios declararam possuir políticas, programas ou ações para os idosos, sendo mais frequentes os programas orientados para promoção de saúde (4.374 municípios), acessibilidade (2.911 para espaços públicos e 1.386 para transporte) e enfrentamento da violência (2.486 municípios).

 

Menores infratores

Apesar da universalização da preocupação com os direitos da criança e do adolescente, apenas 17,7% (987) do total de municípios informaram possuir um plano de atendimento socioeducativo para menores infratores em 2011.

O número de municípios que declararam ter local para acautelamento de adolescentes em conflito com a lei caiu de 482, em 2009, para 465 em 2011. Em relação ao tipo de local existente no município, os pesquisadores do IBGE constataram que 107 municípios têm celas especiais; 223, unidades especiais; 141, outros tipos de instalações e 36 não souberam informar.

Fonte: UOL.com.br, 13/11/12, disponível em: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/11/13/pesquisa-do-ibge-aponta-que-apenas-79-cidades-tem-legislacao-contra-homofobia.htm

“Direitos humanos para humanos direitos”

Política

Matheus Pichonelli

Crônica

08.11.2012 16:23

Almeidinha era o sujeito inventado pelos amigos de faculdade para personalizar tudo o que não queríamos nos transformar ao longo dos anos. A projeção era a de um cidadão médio: resmungão em casa, satisfeito com o emprego na “firma” e à espera da aposentadoria para poder tomar banho, colocar pijama às quatro da tarde, assistir ao Datena e reclamar da janta preparada pela esposa. O Almeidinha é aquele sujeito capaz de rir de qualquer piada de português, negro, gay e loira. Que guarda revistas pornográficas no armário, baba nas pernas da vizinha desquitada (é assim que ele fala) mas implica quando a filha coloca um vestido mais curto. Que não perde a chance de dizer o quanto a esposa (ele chama de “patroa”) engordou desde o casamento.

O Almeidinha, ativista virtual e cidadão de bem.

O Almeidinha, para nosso espanto, está hoje em toda parte. Multiplicou-se em proporção geométrica e, com os anos, se modernizou. O sujeito que montava no carro no fim de semana e levava a família para ir ao jardim zoológico dar pipoca aos macacos (apesar das placas de proibição) sucumbiu ao sinal dos tempos e aderiu à internet. Virou um militante das correntes de e-mail com alertas sobre o perigo comunista, as contas no exterior do ex-presidente, os planos do Congresso para acabar com o 13º salário. Depois foi para o Orkut. Depois para o Facebook. Ali encontrou os amigos da firma que todos os dias o lembram dos perigos de se viver num mundo sem valores familiares. O Almeidinha presta serviços humanitários ao compartilhar alarmes sobre privacidade na rede, homenagens a pessoas doentes e fotos de crianças deformadas. O Almeidinha também distribui bons dias aos amigos com piadas sobre o Verdão (“estude para o vestibular porque vai cair…hihihii”) e mensagens motivacionais. A favorita é aquela sobre amar as pessoas como se não houvesse amanhã, que ele jura ser do Cazuza mas chegou a ele como Caio Fernandes (sic) Abreu.

O Almeidinha gosta também de se posicionar sobre os assuntos que causam comoção. Para ele, a atual onda de violência em São Paulo só acontece porque os pobres, para ele potenciais criminosos (seja assassino ou ladrão de galinha) têm direitos demais. O Almeidinha tem um lema: “Direitos Humanos para Humanos Direitos”. Aliás, é ouvir essa expressão, que ele não sabe definir muito bem, e o Almeidinha boa praça e inofensivo da vizinhança se transforma. “Lógica da criminalidade”, “superlotação de presídios”, “sindicato do crime”, “enfrentamento”, “uso excessivo da força”, para ele, é conversa de intelectual. E se tem uma coisa que o Almeidinha detesta mais que o Lula ou o Mano Menezes (sempre nesta ordem) é intelectual. O Almeidinha tem pavor. Tivesse duas bombas eram dois endereços certos: a favela e a USP. A favela porque ele acredita no governador Sergio Cabral quando ele fala em fábrica de marginais. A USP porque está cansado de trabalhar para pagar a conta de gente que não tem nada a fazer a não ser promover greves, invasões, protestos e espalhar palavras difíceis. O Almeidinha vota no primeiro candidato que propuser esterilizar a fábrica de marginal e a construção de um estacionamento no lugar da universidade pública.

Uma metralhadora na mão do Almeidinha e não sobraria vagabundo na Terra. (O Almeidinha até fala baixo para não ser repreendido pela “patroa”, mas se alguém falar ao ouvido dele que “Hitler não estava assim tão errado” ganha um amigo para o resto da vida).

A cólera, que o fazia acordar condenando o mundo pela manhã, está agora controlada graças aos remédios. O Almeidinha evoluiu muito desde então. Embora desconfiado, o Almeidinha anda numas, por exemplo, de que agora as coisas estão entrando nos eixos porque os políticos – para ele a representação de tudo o que o impediu de ter uma casa na praia – estão indo para a cadeia. Ele não entende uma palavra do que diz o tal do Joaquim Barbosa, mas já reservou espaço para um pôster do ministro do Supremo ao lado do cartaz do Luciano Huck (“cara bom, ajuda as pessoas”) e do Rafinha Bastos (“ele sim tem coragem de falar a verdade”). O Almeidinha não teve colegas negros na escola nem na faculdade, mas ele acha que o exemplo de Barbosa e do presidente Barack Obama é prova inequívoca de que o sistema de cotas é uma medida populista. É o que dizia o “meme” que ele espalhou no Facebook com o argumento de que, na escravidão, o tráfico de escravos tinha participação dos africanos. Por isso, quando o assunto encrespa, ele costuma recorrer ao “nada contra, até tenho amigos de cor (é assim que ele fala), mas muitos deles têm preconceitos contra eles mesmos”.

O Almeidinha costuma repetir também que os pobres é que não se ajudam. Vê o caso da empregada, que achou pouco ganhar vinte reais por dia para lavar suas cuecas e preferiu voltar a estudar. Culpa do Bolsa Família, ele diz, esse instrumento eleitoral que leva todos os nordestinos, descendentes de nordestinos e simpatizantes de nordestinos a votar com medo de perder a boquinha. Em tempo: o filho do Almeidinha tem quase 30 anos e nunca trabalhou. Falta de oportunidade, diz o Almeidinha, só porque o filho não tem pistolão. Vagabundo é outra coisa. Outra cor. Como o pai, o filho do Almeidinha detesta qualquer tipo de bolsa governamental. A bolsa-gasolina que recebe do pai, garante, é outra coisa. Não mexe com recurso público. (O Almeidinha não conta pra ninguém, mas liga todo dia, duas vezes por dia, para o primo de um conhecido instalado na prefeitura para saber se não tem uma boca de assessor para o filho em algum gabinete).

O filho do Almeidinha também é ativista virtual. Curte PlayStation, as sacadas do Willy Wonka, frases sobre erros de gramática do Enem, frases sobre o frio, sobre o que comer no almoço e sobre as bebedeiras com os moleques no fim de semana (segue a página de oito marcas de cerveja). Compartilha vídeos de propagandas de carro e fotos de mulheres barrigudas e sem dentes na praia. Riu até doer a barriga com a página das barangas. Detesta política – ele não passa um dia sem lembrar a eleição do Tiririca para dizer que só tem palhaço em Brasília. E se sente vingado toda vez que alguém do CQC faz “lero-lero” na frente do Congresso. Acha todos eles uns caras fodásticos (é assim que ele fala).
Talvez até mais que o Arnaldo Jabor. Pensa em votar com nariz de palhaço na próxima eleição (pensa em fazer isso até que o voto deixe de ser obrigatório e ele possa aproveitar o domingo no videogame). Até lá, vai seguir destruindo placas e cavaletes que atrapalham suas andanças pela cidade.

Como o pai, o filho do Almeidinha tem respostas e certezas para tudo. 

Não viveu na ditadura, mas morre de saudade dos tempos em que as coisas funcionavam. Espera ansioso um plebiscito para introduzir de vez a pena de morte (a única solução para a malandragem) e reduzir a maioridade penal até o dia em que se poderá levar bebês de oito meses para a cadeia. Quer um plebiscito também para acabar com a Marcha das Vadias. O que é bonito, para ele, é para se ver. E se tocar. E ninguém ouve cantada se não provoca (a favorita dele é “hoje não é seu aniversário mas você está de parabéns, sua linda”. Fala isso com os amigos e sai em disparada no carro do pai. O filho do Almeidinha era “O” zoão da turma na facul).

Pai e filho estão cada vez mais parecidos. O pai já joga Playstation e o menino de 30 anos já fala sobre a decadência dos costumes. Para tudo têm uma sentença: “Ê, Brasil”. Almeidinha pai e Almeidinha filho têm admiração similar ao estilo civilizado de vida europeu. Não passam um dia sem dizer que a vida, deles e da humanidade em geral, seria melhor se o país fosse dividido entre o Brasil do Sul e o Brasil do Norte. Quando esse dia chegar, garantem, o Brasil enfim será o país do presente e não do futuro. Um país à imagem e semelhança de um Almeidinha.


Fonte: Carta Capital, 08/11/12, disponível em: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/direitos-humanos-para-humanos-direitos/#.UJxY8Mua1gt.facebook 

Brasil só ficará atrás de Iraque em aumento de produção de petróleo, diz relatório


Atualizado em  13 de novembro, 2012
Campo de petróleo nos EUA
Brasil tem 'perspectivas brilhantes', e EUA se tornarão autossuficientes, segundo relatório

O Brasil deve se tornar o país que terá o mais rápido crescimento na produção de petróleo fora do Oriente Médio nas próximas duas décadas, afirma um estudo da Agência Internacional de Energia (AIE), com sede em Paris.

De acordo com a agência, a produção diária de petróleo no Brasil vai crescer 3,5 milhões de barris até 2035, a segunda melhor performance mundial, atrás apenas do Iraque, cujo volume deve aumentar em 5,6 milhões de barris por dia no período, atingindo 8,3 milhões de barris diários.
 
Segundo o estudo "Perspectivas da Energia Mundial 2012", a produção brasileira diária de petróleo, que foi de 2,2 milhões de barris em 2011, deverá atingir 4 milhões de barris por dia em 2020 e continuar aumentando até atingir 5,7 milhões de barris diários em 2035.
O desempenho previsto do Brasil é o melhor entre os países que não integram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
De acordo com a AIE, que afirma ter previsões "mais conservadoras" do que a Petrobras, a produção brasileira de petróleo deverá, em 2035, representar mais do que o dobro da mexicana, estimada em 2,6 milhões de barris diários nesse período, prevê a AIE.

A agência afirma que, graças às descobertas das reservas do pré-sal, a produção de petróleo no Brasil subirá consideravelmente, sobretudo a partir da segunda metade desta década.
 
"O Brasil oferece brilhantes perspectivas para a produção de petróleo fora da OPEP. Os campos do pré-sal devem guiar a maior parte do crescimento da produção brasileira", diz o estudo, que destaca as perspectivas do desempenho do país em um quadro intitulado "Boom de petróleo no Brasil ganha ritmo".

 

EUA maior produtor mundial

O estudo da AIE também afirma que os Estados Unidos deverão se tornar o maior produtor mundial de petróleo até 2017, ultrapassando a Arábia Saudita até meados da década de 2020, graças à exploração crescente de petróleo e gás de xisto e também do chamado "petróleo leve" (light tight oil).

Atualmente, os Estados Unidos produzem 10,9 milhões de barris diários de petróleo. A Arábia Saudita produz 11,6 milhões de barris/dia, segundo a AIE.

Os Estados Unidos, que importam 20% de suas necessidades energéticas, deverão se tornar quase autossuficientes em 2035.

O país se tornará exportador líquido de petróleo (exportações superiores às importações) em cerca de 2030, prevê a agência.

"Nos próximos dez anos, os Estados Unidos não precisarão mais importar petróleo do Oriente Médio. Essa realidade terá consequências que vão ultrapassar amplamente o mercado de energia e que serão também geoestratégicas", disse Fatih Birol, economista-chefe da AIE em uma entrevista ao jornal Le Monde.

 

Aumento da demanda

A demanda mundial de energia vai crescer em mais de um terço até 2035, prevê a AIE. A China, a Índia, o Brasil e países do Oriente Médio representam 60% do aumento global da demanda.

Na China, o consumo de energia crescerá 60% entre 2010 e 2035, afirma o estudo. No Brasil, o aumento estimado pela AIE é de 69% nesse período.

A AIE prevê que a demanda mundial de petróleo, de 87,4 milhões de barris diários em 2011, deverá atingir 99,7 milhões de barris/dia em 2035, uma expansão de 14% no período.

"O crescimento do consumo de petróleo nos países emergentes, particularmente o ligado aos transportes na China, na Índia e no Oriente Médio, vai mais do que compensar a redução da demanda nos países ricos, fazendo aumentar claramente o uso do petróleo", diz o relatório.
Os transportes, afirma a agência, já representam mais da metade do consumo mundial de petróleo.

Fonte: BBC Brasil, 13/11/12, disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/11/121113_petroleo_brasil_dg.shtml

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Eduardo Galeano: "Ao trabalhador, restam a angústia e o desemprego"

Terça-Feira, 13 de Novembro de 2012


Celebrado escritor uruguaio realizou a conferência de encerramento do congresso do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso), realizado na capital mexicana, em que tratou do tema “Os direitos dos trabalhadores: um tema para arqueólogos?”. Em sua fala, Galeano demonstrou como esses direitos são resultado de uma árdua luta com 200 anos de história, mas têm sido cada vez mais violados por governos e grandes corporações.

Cidade do México – O escritor uruguaio Eduardo Galeano encerrou na noite de sexta-feira (9) o congresso do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso), realizado na capital mexicana, com uma concorrida conferência pautada em um tema caro para os cientistas sociais: a decadência do mundo do trabalho.

Intitulada “Os direitos dos trabalhadores: um tema para arqueólogos?”, a intervenção de Galeano, assistida por ao menos mil pessoas, que lotaram auditório e salas anexas do hotel onde acontecia o congresso, foi construída como um “mosaico” de histórias essenciais sobre os “200 anos de lutas dos trabalhadores do mundo”.

A maior parte delas está disponível no último livro do escritor, “Os filhos dos dias", lançado neste ano no Brasil. Galeano tratou, por exemplo, da greve operária de Chicago em primeiro de maio de 1886, violentamente reprimida pelas forças de segurança. A data tornou-se o Dia do Trabalho em muitos países, mas não nos Estados Unidos.

“Há sete ou oito anos estive em Chicago e pedi aos amigos que me receberam que me levassem onde aconteceram os protestos. Mas me surpreendi porque eles não conheciam a história”, disse ele. “Só recentemente recebi uma carta deles contanto que tinha acabado de haver uma manifestação na cidade, para lembrar as greves daquela época”, completou.

O escritor, de 72 anos e mundialmente conhecido pela obra "As veias abertas da América Latina", também lembrou o médico italiano Bernardino Ramazzini (1633-1714), precursor da medicina do trabalho. Segundo o uruguaio, o médico natural de Pádua escreveu o primeiro tratado do gênero, vinculando tipos de ocupações laborais com enfermidades específicas.

“Mas ele também escreveu que pouco poderia ser feito com as condições de vida daquelas pessoas, que comiam mal e trabalhavam de sol a sol”, afirmou. Ainda sobre a dureza do trabalho, Galeano lembrou que em 1998 a França reduziu a jornada a 35 horas por semana, mas a medida já foi desfeita.

“Era o sonho de Thomas Morus. Para que servem as máquinas, senão para ampliar nossos espaços de liberdade? Mas acabou em apenas 10 anos. Para o trabalhador, restou desemprego e angústia”, disse o uruguaio, lembrando a crise financeira global iniciada em 2008.

Galeano ainda citou o pouco interesse dos países e grandes empresas pelos 189 acordos e convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), dos quais só 14 foram ratificados pelos Estados Unidos.

“Justamente o país em que o primeiro de maio não é celebrado”, destacou. Ao encerrar sua participação, Galeano contou a história de Maruja, trabalhadora doméstica e moradora de Lima, no Peru, também disponível em seu último livro. É esta que segue:


"Marzo, 30, Día del servicio doméstico"

"Maruja no tenía edad.
De sus años de antes, nada contaba. De sus años de después, nada esperaba.
No era linda, ni fea, ni más o menos.
Caminaba arrastrando los pies, empuñando el plumero, o la escoba, o el cucharón.
Despierta, hundía la cabeza entre los hombros.
Dormida, hundía la cabeza entre las rodillas.
Cuando le hablaban, miraba el suelo, como quien cuenta hormigas.
Había trabajado en casas ajenas desde que tenía memoria.
Nunca había salido de la ciudad de Lima.
Mucho trajinó, de casa en casa, y en ninguna se hallaba. Por fin, encontró un lugar donde fue tratada como si fuera persona.
A los pocos días, se fue.
Se estaba encariñando."

* Viagem realizada a convite do Clacso


Fonte: Carta Maior, 10/11/12, disponível em:  http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21239

Medidas socioeducativas em discussão na AL

Nesta quarta-feira (07/11), a Coordenadoria Especial de Políticas Públicas dos Direitos Humanos - COPDH/CE representada por Roger Cid participou de Audiência Pública na Assembleia Legislativa do Ceará, com a Comissão de Direitos Humanos e Cidadania e a Relatoria Nacional pelos Direitos Humanos à Educação, de iniciativa do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedeca-CE).

A relatora Rosana Heringer, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apresentou o Plano de Trabalho 2012-2014 e fez uma avaliação da visita feita a dois centros educacionais que acolhem menores infratores. Ela relatou que foram identificados problemas de superlotação nos centros educacionais Dom Bosco e São Miguel.

A Secretaria de Educação do Ceará foi representada por Cristiane Holanda que apresentou as principais políticas de educação do Governo do Estado, destacando as escolas profissionalizantes e o desenvolvimento pedagógico com os centros educacionais de medidas socioeducativas, entre outros.

Weyds Cavalcante, coordenador da Célula de Atenção as Medidas Socioeducativas da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social do Estado, disse que para reverter esse quadro de superlotação o Estado pretende construir quatro novas unidades: duas em Sobral, uma em Juazeiro do Norte e outra em Fortaleza, com capacidade para 310 internos.

“As unidades no Interior são para descentralizar as medidas socioeducativas na Capital, pois essa superlotação se dá porque no Interior não tem essa medida de internação”. Weyds Cavalcante reconheceu a situação de violação da educação nos dois centros e afirmou que as unidades já estão sendo readequadas.

 
 Fonte: COPDH-CE, 12/11/12, disponível em: http://copdhce.blogspot.com.br/2012/11/nesta-quarta-feira-0711-acoordenadoria.html