sábado, 22 de junho de 2013

Dilma, lição de democracia

Um primor o pronunciamento da presidenta Dilma, ontem (21/06). Verdadeira lição de democracia: com serenidade reconheceu a legitimidade do direito de manifestação, com altivez repudiou o vandalismo e com bom senso se abriu para o diálogo. 

Estou na torcida grande para que esta movimentação das ruas se converta num processo de educação política para @s nossos jovens, que, ao final, repercuta num cenário melhor para o Brasil e @s  brasileir@s.


Veja a íntegra em: https://www.youtube.com/watch?v=ahEY59WxWRE

Marcelo Uchôa

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Globo: idealismo convertido em preocupação

Posso estar enganado, mas tenho a impressão de que a Globo mudou o tom do discurso sobre os fatos recentes no Jornal Hoje de agora há pouco, ao perceber que, a despeito das manifestações serem legítimas, as coisas estão saindo do rumo. 

Vou dizer uma coisa que aprendi no movimento estudantil: levar gente pra rua requer organização e liderança. Sem isso, vidas e sonhos são postos desnecessariamente em risco.

Marcelo Uchôa

terça-feira, 18 de junho de 2013

Protestar ou não protestar?



Feliz de um povo que pode viver num sistema político em que a livre manifestação se constitui em liberdade fundamental. Não podemos, de maneira alguma, concordar com o cerceamento do direito de ir e vir e de livre manifestação das pessoas, mesmo quando ideologicamente desvinculadas de partidos políticos e, muito menos, mediante o uso bruto e desmedido da violência policial. Isso vale em São Paulo, Rio, Distrito Federal, Ceará, onde quer que seja, dentro do território nacional e mesmo no exterior.

Contudo, só espero que passada a Copa das Confederações este ânimo contestatório continue. Que cada brasileira e cada brasileiro, fazendo uso de suas responsabilidades cívicas, leve seu descontentamento ou seu elogio também às sessões e audiências públicas das Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas, Congresso Nacional, orçamentos participativos, conselhos comunitários, assembleias sindicais, associativas, estudantis, etc, sem falar dos processos eleitorais em si. São nestes palcos, quase sempre vazios de público, que, no final, as coisas são decididas. 

Viva a democracia. Não à omissão!

* Imagem extraída da internet
 
Blog Marcelo Uchôa

terça-feira, 11 de junho de 2013

Justiça reconhece fraude na privatização da Companhia Vale do Rio Doce


Justiça reconhece fraude na privatização da Companhia Vale do Rio Doce




Dez anos depois de ações populares terem sido abertas para questionar o processo, privatização da maior exportadora e produtora de ferro do mundo pode ser revertida; decisão judicial possibilita reabertura de processo contra a venda da Vale



11/06/2013



Maíra Kubík Mano




Se você tivesse um cacho de bananas que valesse R$9,00, você o colocaria à venda por R$0,30? Óbvio que não. Mas foi isso que o governo federal fez na venda de 41% das ações da Companhia Vale do Rio Doce para investidores do setor privado, em 1997. Eles pagaram R$3,3 bilhões por uma empresa que vale perto de R$100 bilhões. Dez anos depois que ações populares foram abertas para questionar o processo, a privatização da maior exportadora e produtora de ferro do mundo pode ser revertida.


Em 16 de dezembro do ano passado, a juíza Selene Maria de Almeida, do Tribunal Regional Federal (TRF) de Brasília, anulou a decisão judicial anterior e reabriu o caso, possibilitando a revisão do processo. “A verdade histórica é que as privatizações ocorreram, em regra, a preços baixos e os compradores foram financiados com dinheiro público”, afirma Selene. Sua posição foi referendada pelos juízes Vallisney de Souza Oliveira e Marcelo Albernaz, que compõem com ela a 5ª turma do TRF.


Entre os réus estão a União, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Eles são acusados de subvalorizar a companhia na época de sua venda. Segundo as denúncias, em maio de 1995 a Vale informou à Securities and Exchange Comission, entidade que fiscaliza o mercado acionário dos Estados Unidos, que suas reversas de minério de ferro em Minas Gerais eram de 7.918 bilhões de toneladas. No edital de privatização, apenas dois anos depois, a companhia disse ter somente 1,4 bilhão de toneladas. O mesmo ocorre com as minas de ferro no Pará, que em 1995 somavam 4,97 bilhões de toneladas e foram apresentadas no edital como sendo apenas 1,8 bilhão de toneladas.


Outro ponto polêmico é o envolvimento da corretora Merrill Lynch, contratada para avaliar o patrimônio da empresa e calcular o preço de venda. Acusada de repassar informações estratégicas aos compradores meses antes do leilão, ela também participou indiretamente da concorrência por meio do grupo Anglo American. De acordo com o TRF, isso comprometeu a imparcialidade da venda.


A mesma Merrill Lynch, na privatização da Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF) da Argentina, reduziu as reservas declaradas de petróleo de 2,2 bilhões de barris para 1,7 bilhão.




Nova perícia


Depois da venda da Vale, muitas ações populares foram abertas para questionar o processo. Reunidas em Belém do Pará, local onde a empresa está situada, as ações foram julgadas por Francisco de Assis Castro Júnior em 2002. “O juiz extinguiu todas as ações sem apreciação do mérito. Sem olhar para tudo aquilo que nós tínhamos dito e alegado. Disse que o fato já estava consumado e que agora analisar todos aqueles argumentos poderiam significar um prejuízo à nação”, afirma a deputada federal doutora Clair da Flora Martins (PT/PR).


O Ministério Público entrou com um recurso junto ao TRF de Brasília, que foi julgado no ano passado. A sentença determinou a realização de uma perícia para reavaliar a venda da Vale. No próximo passo do processo, as ações voltam para o Pará e serão novamente julgadas. Novas provas poderão ser apresentadas e os réus terão que se defender.


Para dar visibilidade à decisão judicial, será criada na Câmara dos Deputados a Frente Parlamentar em Defesa do Patrimônio Público. A primeira ação é mobilizar a sociedade para discutir a privatização da Vale. “Já temos comitês populares em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Pará, Espírito Santo, Minas Gerais e Mato Grosso”, relata a deputada, uma das articuladoras da frente.


“Precisamos construir um processo de compreensão em cima da anulação da venda da Vale, conhecer os marcos gerais dessas ideias a partir do que se tem, que é uma ação judicial, e compreendê-la dentro de um aspecto mais geral, que é o tema da soberania nacional”, acredita Charles Trocate, integrante da direção nacional do MST. Ele participa do Comitê Popular do Pará, região que tem forte presença da Vale.


Entre os marcos da privatização, que serão estudados e debatidos nos próximos meses nos comitês, está o Plano Nacional de Desestatização, de julho de 1995. A venda do patrimônio da Vale fez parte de uma estratégia econômica para diminuir o déficit público e ampliar o investimento em saúde, educação e outras áreas sociais. Cerca de 70% do patrimônio estatal foi comercializado por R$60 milhões, segundo o governo. “Vendendo a Vale, nosso povo vai ser mais feliz, vai haver mais comida no prato do trabalhador”, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em 1996. A dívida interna, entretanto, não diminuiu: entre 1995 e 2002 ela cresceu de R$108 bilhões para R$654 bilhões.


Na época, a União declarou que a companhia não custava um centavo ao Tesouro Nacional, mas também não rendia nada. “A empresa é medíocre no contexto internacional. É uma péssima aplicação financeira. Sua privatização é um teste de firmeza e determinação do governo na modernização do Estado”, afirmou o deputado Roberto Campos (PPB/SP) em 1997. No entanto, segundo os dados do processo, o governo investiu R$2,71 bilhões durante toda a história da Vale e retirou R$3,8 bilhões, o que comprova o lucro.


“O governo que concordou com essa iniciativa não tinha compromisso com os interesses nacionais”, diz a deputada doutora Clair.




Poder de Estado


A Vale se tornou uma poderosa força privada. Hoje ela é a companhia que mais contribui para o superávit da balança comercial brasileira, com 54 empresas próprias nas áreas de indústria, transporte e agricultura.


“Aqui na região de Eldorado dos Carajás (PA), a Vale sequestra todo mundo: governos municipais e governo estadual. Como o seu Produto Interno Bruto é quatro vezes o PIB do estado Pará, ela se tornou o estado econômico que colonizou o estado da política. Tudo está em função de seus interesses”, coloca Charles Trocate.


Trocate vivência diariamente as atividades da empresa no Pará e a acusa de gerar bolsões de pobreza, causados pelo desemprego em massa, desrespeitar o meio ambiente e expulsar sem-terra e indígenas de suas áreas originais.


“Antes da privatização, a Vale já construía suas contradições. Nós temos clareza de que a luta agora é muito mais ampla. Nesse processo de reestatização, vamos tentar deixar mais claro quais são as mudanças que a empresa precisa fazer para ter uma convivência mais sadia com a sociedade na região”, diz Trocate. De acordo com um levantamento do Instituto Ipsos Public Affairs, realizado em junho de 2006, a perspectiva é boa: mais de 60% dos brasileiros defendem a nacionalização dos recursos naturais e 74% querem o controle das multinacionais.




Patrimônio da Vale em 1996


● maior produtora de alumínio e ouro da América Latina

● maior frota de navios graneleiros do mundo

● 1.800 quilômetros de ferrovias brasileiras

● 41 bilhões de toneladas de minério de ferro

● 994 milhões de toneladas de minério de cobre

● 678 milhões de toneladas de bauxita

● 67 milhões de toneladas de caulim

● 72 milhões de toneladas de manganês

● 70 milhões de toneladas de níquel

● 122 milhões de toneladas de potássio

● 9 milhões de toneladas de zinco

● 1,8 milhão de toneladas de urânio

● 1 milhão de toneladas de titânio

● 510 mil toneladas de tungstênio

● 60 mil toneladas de nióbio

● 563 toneladas de ouro

● 580 mil hectares de florestas replantadas, com matéria-prima para a produção de 400 mil toneladas/ano de celulose


Fonte: Revista Dossiê Atenção – “Porque a venda da Vale é um mau negócio para o país”, fls. 282/292, da Ação Popular nº 1997.39.00.011542-7/PA.



Quanto vale hoje


● 33 mil empregados próprios

● participação de 11% do mercado transoceânico de manganês e ferro-liga

● suas reservas de minério de ferro são suficientes para manter os níveis atuais de produção pelos próximos 30 anos

● possui 11% das reservas mundiais estimadas de bauxita

● é o mais importante investidor do setor de logística no Brasil, sendo responsável por 16% da movimentação de cargas do Brasil, 65% da movimentação portuária de granéis sólidos e cerca de 39% da movimentação do comércio exterior nacional

● possui a maior malha ferroviária do país

● maior consumidora de energia elétrica do país

● possui atividades na América, Europa, África, Ásia e Oceania

● concessões, por tempo ilimitado, para realizar pesquisas e explorar o subsolo em 23 milhões de hectares do território brasileiro (área correspondente aos territórios dos estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Paraíba e Rio Grande do Norte)


Fonte: 5ª Turma do TRF da 1ª Região

Foto: Reprodução

Fonte: Brasil de Fato, 11/06/13, disponível em: http://www.brasildefato.com.br/node/13191#.UbdlnscyxCs.facebook

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Ex-ministro Paulo Vannuchi é eleito para comissão da OEA

Organismo integra um sistema de proteção e promoção de direitos humanos nas Américas


Da Agência Brasil

PauloVannuchi-tpO ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) Paulo Vannuchi foi eleito quinta-feira (6) para compor a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA) - também foram eleitos os candidatos dos Estados Unidos, James Cavallaro, e o do México, José de Jesús Orozco Henríquez. Vannuchi participou do debate de 15 anos de Caros Amigos em 2012; confira a palestra dele no vídeo abaixo.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos é formada por sete membros e é uma das entidades do Sistema Interamericano de Proteção e Promoção dos Direitos Humanos nas Américas. Três vagas foram renovadas no processo eleitoral, que começou há três dias. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a eleição de Vannuchi à CIDH fortalece o compromisso do Brasil com o Sistema Interamericano de Direitos Humanos.

SDH

Paulo Vannuchi comandou a SDH entre 2005 e 2011, durante o governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Formado em jornalismo e com mestrado em ciência política, Paulo de Tarso Vannuchi, de 63 anos, sempre atuou na defesa e preservação dos direitos humanos. Paulista de São Joaquim da Barra, ele foi preso político durante o governo militar.

O ex-ministro foi o principal responsável pelo Programa Nacional de Direitos Humanos. Em 2010, Vannuchi defendeu que Lei de Anistia não se aplica aos torturadores. Atualmente é diretor do Instituto Lula e responsável pelo projeto do Memorial da Democracia. É também analista político da TVT e da Rádio Brasil Atual.

Dossiê

Vannuchi participou da elaboração do livro Brasil Nunca Mais, coordenado por dom Paulo Evaristo Arns. Em 1975, foi um dos responsáveis pelo dossiê entregue à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre a tortura praticada pela ditadura militar e os assassinatos cometidos, mencionando 233 nomes de torturadores e detalhando os métodos usados, inclusive citando unidades onde as torturas ocorriam. O documento é considerado um dos mais completos desde 1964.

De 1977 a 1985, Vannuchi trabalhou com a Comissão Pastoral da Terra, a Pastoral Operária e as Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica, promovendo cursos de formação e assessoria política para lideranças, religiosos e bispos.

Vannuchi foi deputado federal na Assembleia Nacional Constituinte, em 1986, e secretário executivo da Coordenação Nacional da campanha de Lula, em 1994.

Assista vídeo com o novo comissionário em: http://www.youtube.com/watch?v=p0y7AcKS6oA&list=PL71AF8F2FEF8132F0&feature=player_embedded

Fonte: Caros Amigos,  10/06/13, http://carosamigos.terra.com.br/index/index.php/politica/3303-ex-ministro-paulo-vannuchi-e-eleito-para-comissao-da-oea

terça-feira, 4 de junho de 2013

Dilma sanciona nesta 4ª feira lei criando a Universidade Federal do Cariri


A presidente Dilma Rousseff vai sancionar nesta quarta-feira, no Palácio do Planalto, lei criando mais quatro universidades federais no País. O Ceará vai ganhar mais uma: a Universidade Federal do Cariri (UFCA).

Essa nova instituição federal nascerá por meio do Campus Avançado que a UFC mantém na região e, segundo o reitor Jesualdo Farias, já nascerá fortalecida e com bons cursos. Para ele, uma grande vitória de um projeto que teve como relator o senador cearense Inácio Arruda (PCdoB).

Assista reportagem com o Reitor da UFC, Jesualdo Farias:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=vRIwK0HWakc

Fonte: Blog do Eliomar, 05/06/13, disponível em: http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/dilma-sanciona-nesta-4a-feira-lei-criando-a-universidade-federal-do-cariri/

Premiê rejeita 'Primavera turca' e acirra disputa política na Turquia



Protestos na Turquia
Protestos começaram por causa de um parque e se espalharam pelo país

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou nesta segunda-feira que os quatro dias de protestos contra o governo não são uma "Primavera turca".

Em uma coletiva de imprensa antes de viajar para o Marrocos, ele afirmou que os protestos foram organizados por extremistas e acusou a oposição de provocar "os seus cidadãos".
 
Os protestos começaram como uma iniciativa para impedir a derrubada do parque Gezi, em Istambul, para a construção de um centro comercial.
No entanto, as manifestações se transformaram em protestos contra o governo em todo o país. Ativistas se enfrentaram novamente com a polícia na segunda-feira após novos episódios de violência durante a noite.

A polícia usou gás lacrimogêneo contra um grupo de manifestantes que ia para o gabinete do primeiro-ministro em Istambul, segundo a agência de notícias Dogan.

"Há aqueles que comparecem aos eventos organizados por extremistas. Isso não é mais relacionado ao parque Gezi. Estes são eventos organizados com afiliações na Turquia e fora", disse o primeiro-ministro, durante uma entrevista pela televisão.

"O principal partido de oposição, CHP, provocou meus cidadãos inocentes. Os que produzem notícias (e) chamam esses eventos de Primavera turca não conhecem a Turquia."

A retórica agressiva de Erdogan contrasta com o tom adotado pelo presidente turco, Abdullah Gul, que pediu calma e defendeu o direito dos manifestantes de protestar pacificamente.

Tido como mais conciliador, Gul vem se afastando de seu ex-aliado Erdogan, e o racha foi evidenciado pelos protestos atuais e com a aproximação das eleições presidenciais do país, explica Cagil Kasapoglu, do Serviço Turco da BBC.

 

'Autoritário'

Os manifestantes dizem que o governo turco tem se tornado cada vez mais autoritário.

Correspondentes da BBC dizem que os manifestantes turcos temem que o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), de Erdogan, esteja tentando impor valores conservadores islâmicos no país, que é oficialmente secular, e infringindo suas liberdades individuais.

De acordo com as autoridades, mais de 1,7 mil pessoas foram presas em protestos em 67 cidades, mas muitas já foram liberadas.

Na noite de domingo, a Casa Branca disse em um comunicado que ambos os lados deveriam "acalmar a situação" e reafirmou que manifestações pacíficas são "parte da expressão democrática".

Os EUA já haviam criticado as forças de segurança turcas por sua resposta inicial aos protestos.

 

Hospitais improvisados

Durante a noite, manifestantes no bairro de Besiktas, em Istambul, tiraram pedras do pavimento para construir barricadas e a polícia respondeu com gás lacrimogêneo e canhões de água.

Mesquitas, shoppings e uma universidade em Besiktas foram transformados em hospitais improvisados para os feridos durante os protestos de domingo à noite.

Milhares de pessoas participaram dos protestos do lado de fora do estádio de futebol de Besiktas, que foi recentemente desativado.

Também houve tumultos na capital, Ancara, e na cidade costeira de Izmir, no oeste, assim como em Adana, no sul, e Gaziantep, no sudeste.

Na semana passada, o governo aprovou uma lei proibindo a venda e a propaganda de bebidas alcoólicas.

Erdogan disse que os manifestantes são antidemocráticos e foram provocados pelo Partido Popular Republicano (CHP), de oposição.

Análise: A esperança em Istambul

Paul Mason | Foto: BBC
Paul Mason
Enviado da BBC a Istambul


Para qualquer estudante de história social, a visão de uma classe média urbana usando as mãos para retirar pedras da calçada, formar uma cadeia humana e empilhá-las para fazer uma barricada de um metro remete às palavras "Comuna de Paris".

Foi o que eu vi nas ruas ao redor do Estádio de Besiktas na noite passada, e as comparações são nefastas.

Eu cobri o Syntagma, em Atenas, os protestos Occupy e as manifestações na praça Tahrir, no Cairo, mas isso é diferente de todos eles. Primeiro, é sólido: os números apequenam qualquer episódio isolado de agitação na Grécia.

Em segundo lugar, a abrangência do apoio social - dentro do território urbano de Istambul - é maior do que na Grécia e próxima do Egito.

Na Grécia, a classe média urbana estava dividida; aqui na Turquia, a classe média secular está nas ruas com força, unida sobre divisões políticas e disputas de futebol.

É a "Praça Tahrir" da Turquia? Não se os trabalhadores não se juntarem: o país tem um grande movimento trabalhista e segunda-feira é um dia de trabalho, então veremos. Mas é certamente algo maior do que a uma versão turca do Occupy.

A oposição sabe que é fraca, que não tem liderança e não quer uma, e a estratégia oficial se relaciona ao parque Gezi e à brutalidade policial ─ enquanto a esperança que acende os olhos das pessoas com máscaras é se livrar de Erdogan e fazer da Turquia uma democracia secular.

A Comuna de Paris, em 1871, foi estudada pelos revolucionários como um exemplo do que não fazer. O movimento era isolado do resto da França, que votava nos conservadores; não sabia o que queria; aproveitou sua aparente liberdade e foi esmagado.

Ao ler o pedido do Departamento de Estado americano para que o premiê Recep Tayyip Erdogan "se contenha", acho que é possível que a comparação também tenha sido feita por outras pessoas.

Fonte: BBC Brasil, 03.06.14, disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/06/130603_turquia_erdogan_analise_cc.shtml

'Me sinto uma rainha', diz brasileira professora no país nº 1 em educação

Formada pela UFBA, Luciana Pölönen dá aulas há três anos na Finlândia.

País no Norte da Europa tem a melhor educação do mundo.

Vanessa Fajardo Do G1, em São Paulo

Luciana Pölönen dá aulas de português em Espoo, na Finlândia (Foto: Arquivo pessoal)Luciana Pölönen dá aulas de português em Espoo, na Finlândia (Foto: Arquivo pessoal)

País com a melhor educação do mundo, a Finlândia tem entre os seus professores da rede pública uma brasileira. Luciana Pölönen, de 26 anos, nasceu em Salvador (BA), é formada em letras pela Universidade Federal de Bahia (UFBA) e se mudou para Finlândia em 2008, com objetivo de fazer mestrado. Desde 2010, compõe o corpo docente finlandês. No país do Norte da Europa, mais do que emprego, ela encontrou a valorização da profissão de lecionar.

"Eu me sinto como uma rainha ensinando aqui. Ser professor na Finlândia é ser respeitado diariamente, tanto quanto qualquer outro profissional!", afirma a brasileira, que se casou com um finlandês, tem uma filha de três anos, Eeva Cecilia, e está grávida à espera de um menino. "Aqui na Finlândia o sistema é outro, o professor é o pilar da sociedade."

A comparação com sua experiência escolar no Brasil é inevitável. "No Brasil só dei aulas em cursos, mas estudei em escola pública, sei como é. Sofria bullying, apanhava porque falava o que via de errado e os professores não tinham o respeito dos pais", diz Luciana.

A professora Luciana com seu diário de classe finlandês (Foto: Arquivo pessoal/Luciana Pölönen)A professora Luciana com seu diário de classe
finlandês (Foto: Arquivo pessoal/Luciana Pölönen)
 
Por quatro anos consecutivos, a Finlândia ficou entre os primeiros lugares no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), que mede a qualidade de ensino. Durante visita em São Paulo, na semana passada, a diretora do Ministério da Educação e Cultura, Jaana Palojärvi, disse que o segredo do sucesso do sistema finlandês de ensino não tem nada a ver com métodos pedagógicos revolucionários, uso da tecnologia em sala de aula ou avaliações nacionais. O lema é treinar o professor e dar liberdade para ele trabalhar.

Luciana aprova o método. Há dois anos dá aulas na Escola Europeia de Helsinque, capital da Finlândia, de nível fundamental e médio e há um ano leciona português em uma escola de ensino fundamental em Espoo, cidade próxima à capital. "Dou aula de português porque toda criança falante de duas línguas tem o direito ao ensino de uma língua estrangeira na escola. Ou seja, todos os filhos de brasileiros têm direito ao ensino de português como língua mãe."

Para conseguir a vaga, a brasileira passou por avaliação do histórico escolar da universidade, enviou uma carta pessoal em que expôs suas intenções, e enfrentou uma entrevista, uma espécie de prova oral feita em inglês.
 
Com o trabalho nas duas escolas, Luciana ganha 2.500 euros, o equivalente a R$ 6.500. Luciana tem contrato temporário porque ainda não finalizou o mestrado, termina a dissertação no fim do ano, por isso há uma redução no salário de 15% e de tarefas extras.

"Tenho total liberdade para avaliar meu aluno, tenho a lista de coisas de que ele tem de aprender até o fim do ano, mas como vou fazer fica a meu critério. Não preciso aplicar prova a toda hora, nem justificar nada para o coordenador", afirma. "Temos cursos de aperfeiçoamento sem custo, descontos em vários lugares com o cartão de professor, seguro viagem, entre outros."

Para Luciana, os alunos aprendem porque há um comprometimento deles, dos pais e da comunidade. "Eles aprendem o respeito desde pequenos, a honestidade vem em primeiro lugar. As pessoas acreditam umas nas outras e não é necessário mentir. Um professor quando adoece pode se ausentar até três dias. Funciona muito bem."

Mapa da Finlândia (Foto: Editoria de arte/G1)
 
Tradução e aula particular
 

Logo chegou à Finlândia, Luciana trabalhou como analista de mídia. Depois, em 2010, antes de atuar na rede de ensino pública, conciliava trabalhos de tradução e de professora particular. "Se aparecesse um trabalho para fazer limpeza, eu toparia sem problemas, desde que fosse honesto. Mandava currículo para algumas empresas, mas nunca era chamada. Pensei em omitir minha formação [em letras, pela UFBA], caso não arrumasse nada."

Luciana voltou a trabalhar quando a filha tinha apenas um mês. Era um trabalho de tradução que às vezes fazia de casa ou ia até a empresa que ficava próxima à sua casa. Escapava para amamentar no intervalo do café. "Aqui a licença maternidade dura três anos, as pessoas achavam um absurdo eu trabalhar com uma filha de um mês. Na verdade faz parte da educação deles, hoje eu entendo mais."

O respeito pelo próximo também é algo muito enraizado na cultura do finlandês. Luciana diz que diferente do Brasil, nunca sentiu preconceito na Finlândia por ser negra ou estrangeira. "Aqui as pessoas não parecem notar a cor de pele do outro contanto que exista respeito mútuo."

Casos de violência ou bullying são muito raros nas escolas. "Foram cinco casos de violência no ano, mas para eles é um absurdo, não deveria acontecer. Eles sempre têm um plano para cada tipo de aluno, não é uma única forma para a classe inteira. No final, todos alcançam o mesmo objetivo."

Luciana Pölönen se mudou para a Finlândia em 2008 e se tornou professora; país tem a melhor educação do mundo (Foto: Arquivo pessoal)Luciana Pölönen se mudou para a Finlândia em
2008 e se tornou professora (Foto: Arquivo pessoal)
Diferenças
 

Na Finlândia, o professor é proibido por lei de encostar no aluno. Nem mesmo para dar um abraço. Luciana soube disso durante a aula de inglês, no estágio, em uma atividade onde alunos precisam demonstrar sentimentos numa espécie de encenação teatral e ela "relou" em uma aluna. A classe toda ficou estática, espantada.

Hoje, Luciana se acostumou à cultura.  "Acho que acostumei, nunca gostei muito de abraçar as pessoas se não houvesse um motivo muito importante para isso. Talvez esse seja o motivo de eu ter me acostumado aqui." O frio também não lhe causa incômodo, nem mesmo a temperatura de 25 graus negativos que já encarou. Para a baiana, não há problemas desde que esteja com a roupa apropriada para manter o corpo aquecido.
 
Planos para o Brasil
 

No fim do ano, Luciana vai aproveitar as férias para voltar ao Brasil para visitar a família. Durante a temporada de dois meses pretende fazer workshops em escolas sobre o sistema de educação finlandês. “Gostaria de ajudar os professores de alguma forma, com treinamento, é o que eu devo para o meu país. Minha parte é tentar ajudar da maneira que eu posso.”

Para ela, a receita da Finlândia para ter uma educação nota 10, baseada na simplicidade, daria certo no Brasil se "as pessoas parassem de esperar ações do governo e agissem com as próprias mãos." "Gostaria que minha filha visse meu país diferente e eu não tivesse de pagar uma mensalidade de 2 a 3 mil reais [caso morasse no Brasil] em uma escola particular para oferecer a ela uma educação de qualidade."

Se o abraço tão habitual no Brasil não lhe faz falta e o frio não a incomoda, Luciana sente saudades de gargalhar com os amigos, de se deliciar com a comida da minha mãe, conversar a avó, escutar músicas com a tia e assistir Fórmula 1 com o pai. "Matamos as saudades via Skype ou quando alguns parentes visitam a Finlândia."

Luciana Polonen é destaque em blog voltado para a comunidade acadêmica da Finlândia (Foto: Reprodução) 
 
Luciana Polonen é destaque em blog voltado para a comunidade acadêmica da Finlândia (Foto: Reprodução)

Fonte: G1, 03/06/13, disponível em: http://g1.globo.com/educacao/noticia/2013/06/me-sinto-uma-rainha-diz-brasileira-professora-no-pais-n-1-em-educacao.html

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Amado Batista: “mereci ser torturado na ditadura”




Amado Batista diz que mereceu ser torturado durante a ditadura militar. Músico afirmou em entrevista a jornalista Marília Gabriela que os militares estavam certos porque se não fizessem “aquilo”, o Brasil poderia ter se tornado uma Cuba


amado batista torturado ditadura militar
Amado Batista era dono de livraria na juventude e abrigou intelectuais considerados subversivos e por isso foi torturado durante a ditadura militar (Foto: Divulgação)
Em entrevista a jornalista Marília Gabriela, em seu programa De Frente com Gabí, o cantor Amado Batista disse sobre um dos momentos mais terríveis da história do Brasil, a ditadura militar, que “eu acho que eu mereci. Eu fiz coisas erradas, então eles me corrigiram, assim como uma mãe que corrige um filho”.

Na juventude, Amado Batista trabalhava numa livraria e com este emprego conheceu e facilitou o acesso de alguns escritores, jornalistas e intelectuais aos livros proibidos na época, geralmente de filosofia, política, entre outros. Por esta razão, foi preso pelos militares durante as investigações contra os intelectuais considerados subversivos no período de exceção. “Me bateram muito. Me deram choques elétricos, e ainda um dia me colocaram com uma cobra”, recordou.

O músico também recordou as inúmeras torturas psicológicas e ameaças de morte que sofreu naquele período. “Um dia me soltaram. Todo machucado. Fiquei tão atordoado que pensei em ser mendigo. Queria largar tudo. E virar andarilho”, falou. Quando respondeu a um questionamento sobre a Comissão Nacional da Verdade e se teria vontade em expor a verdade sobre sua história, ele disse que tudo que passou foi por merecimento.


Marília boquiaberta retrucou: “Que coisa errada você fez?”. Amado prontamente disse: “Eu acho que eu estava errado de estar contra o governo e ter acobertado pessoas que queriam tomar o país à força”, e acrescentou: “Fui torturado, mas merecia”. A repórter foi enfática: 

“Você passou para o lado de quem te torturou!”. O cantor tentou finalizar o assunto dizendo que era passado e que achou que os militares estavam certos, pois se eles não fizessem “aquilo” o Brasil poderia ter se tornado uma Cuba.

Gabí disse que entendia a posição do músico, mas contou que Amado recebe uma indenização pela tortura no tempo da Ditadura Militar, oferecido pela Comissão de Direitos Humanos e da Lei de Anistia e quis saber o valor do salário mensal. Amado resistiu um pouco, mas depois respondeu: “Eu recebo um salário de R$ 1 mil e pouco, todo mês desde algum tempo”, finalizou ele.

Fonte: Pragmatismo Político, 27.05.13, disponível em: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/05/amado-batista-mereci-ser-torturado-na-ditadura.html
  

sábado, 1 de junho de 2013

Abaixo a ditadura (Jornal O Povo)

Recentemente, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), sancionou a Lei Municipal nº 15.717, de autoria dos vereadores Orlando Silva e Jamil Murad, permitindo o rebatismo de ruas e logradouros paulistanos que homenageiam pessoas que cometeram crimes contra a humanidade ou graves abusos contra os direitos humanos, o que inclui os envolvidos com a ditadura militar. Pela lei, moradoras das ruas ou adjacências podem solicitar, via abaixo-assinado, a alteração dos nomes.
 
Oportunamente, outro projeto de lei requer a substituição imediata do nome da rua Delegado Sérgio Fleury, considerado por muitos como o algoz dos algozes de todo regime militar, pelo nome do cearense Frei Tito de Alencar, uma de suas mais emblemáticas vítimas.

As medidas são justas e merecem aplausos. Em tempos de afirmação dos direitos humanos, e inclusive de resgate da memória histórica, não há mais espaço para deslizes como homenagens a quem outrora atentou contra as liberdades mais fundamentais do ser humano e o Estado de Direito.

Muito bom que o mesmo fosse copiado em terras alencarinas, não só na cidade de Fortaleza, onde ruas homenageiam torturadores e praças festejam o dia do golpe, mas em todo Ceará, que havendo gerado um dos presidentes militares, inúmeros logradouros reverenciam a nefasta ordem, bastando dizer que o Fórum da Justiça Federal, justiça encarregada de defender a dignidade da pessoa humana, carrega o nome de mencionado presidente. 

E quanto ao horrendo mausoléu, incrustado nas dependências do Palácio da Abolição, se não mude de nome em respeito aos restos mortais que ali se encontram, que pelo menos conte a verdade sobre a ditadura militar, para que os visitantes do espaço, em especial os alunos da rede pública que ali frequentemente transitam, tenham conhecimento de toda a versão sobre o tenebroso período e não apenas de um suposto e inverídico momento de glória militar.

Abaixo a ditadura!

Marcelo Uchôa
processual@gomeseuchoa.adv.br
Advogado e professor de Direitos Humanos da Unifor