segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Índios da Aldeia Maracanã recebem notificação de despejo


Caio Quero





As famílias indígenas que ocupam desde 2006 o terreno do antigo Museu do Índio, nas proximidades do estádio do Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro, receberam nesta sexta-feira uma notificação da Procuradoria Geral do Estado que estabelece um prazo de dez dias para que eles se retirem do local.
De acordo com Carlos Tukano, uma das lideranças da aldeia, o documento teria sido entregue no início da tarde desta sexta-feira. Orientados pela Defensoria Pública da União, os índios optaram por não assinar o recebimento do documento.

Índios optaram por não assinar o recebimento do documento da Procuradoria Geral do Estado
"Eles trouxeram essa notificação, mas a gente não assinou nada. Estamos recebendo a orientação para não assinar nada", disse Tukano. Em um breve comunicado, a assessoria da Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro confirmou que a notificação foi enviada, mas não divulgou mais detalhes.
 
"A Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro enviou, ne
sta sexta-feira, notificação para que o terreno do antigo Museu do Índio seja desocupado em um prazo de 10 dias", diz a nota. Segundo a Procuradoria, caso o imóvel não seja desocupado neste prazo, o Estado poderá entrar com um pedido de reintegração de posse.
 
O documento foi entregue dois dias depois de a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos ter proposto, em troca da retirada dos ocupantes, a criação de um Centro de Referência da Cultura dos Povos Indígenas, em um local a ser definido, próximo ao Maracanã.
Também foi sugerida a criação de um Conselho Estadual de Direitos Indígenas. Os integrantes da aldeia dizem que ainda não avaliaram a proposta.
 
"A proposta foi feita anteontem pelo secretário (de Assistência Social) e logo em seguida eles mandam essa remoção no prazo de dez dias. Está correndo muito rápido e muito suspeito para mim. Ninguém vai se retirar", disse Tukano.

Disputa

Atualmente, cerca de 60 índios moram no terreno, entre elas 40 adultos e 20 crianças.
 
Em outubro do ano passado, o governo estadual formalizou a compra do terreno, que pertencia à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão ligado ao Ministério da Agricultura.
 
Segundo o governo do Estado do Rio de Janeiro, a demolição do prédio faz parte das obras de modernização do estádio do Maracanã para a Copa das Confederações e a Copa do Mundo de 2014. Segundo o projeto, o terreno deve servir como área de estacionamento e dispersão para o público durante os jogos.
 
Já lideranças indígenas, movimentos sociais e partidos políticos defendem o tombamento do prédio e o direito dos índios da chamada aldeia Maracanã de permanecerem no local.
 
Para o defensor público federal Daniel Macedo, que vem defendendo os índios e o tombamento do prédio, o documento entregue nesta sexta-feira é uma "notificação extrajudicial".
 
"É uma notificação extrajudicial, é mais uma forma de o governo pressionar a saída deles. Mas não tem nenhuma utilidade porque a questão já foi judicializada", diz o defensor, referindo ao fato que o caso já estar sendo discutido pela Justiça Federal.
 
Segundo Macedo, o documento não autoriza que a polícia entre no local para desocupá-lo. "Só podem entrar lá se houver uma ordem judicial, com presença de oficial de justiça, tudo direitinho."

Batalha judicial

O requerimento foi encaminhado após uma semana de disputa jurídica entre as partes, depois de momentos de tensão durante um cerco policial ao imóvel, no último sábado.
 
Na noite de quarta-feira, o presidente em exercício do Tribunal Regional Federal da 2ª região (TRF-2), Raldênio Bonifacio Costa, deu um prazo de dez dias para que a União se manifestasse a respeito de um recurso apresentado pelo Ministério Público Federal para impedir a demolição e retirada dos ocupantes do imóvel.
 
A ordem foi assinada após o Ministério Público Federal apresentar um pedido de reconsideração contra uma decisão tomada em novembro pelo Tribunal. Nesta decisão, a presidente do TRF, Maria Helena Cisne, cassou duas liminares que impediam a demolição do antigo museu e a retirada dos índios que vivem desde 2006 no local.

Polêmica

A polêmica também se estende para a esfera urbanística. Segundo a legislação municipal do Rio de Janeiro, demolição ou a alteração de imóveis construídos antes de 1937 só pode ser autorizada após o pronunciamento favorável do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural, que emitiu um parecer contra a demolição.
 
Contrariando o parecer, no entanto, a demolição do prédio foi autorizada pela Prefeitura do Rio, por meio de um despacho assinado pelo prefeito Eduardo Paes e publicado no Diário Oficial do município.
 
Construído em 1862, o edifício onde agora fica a aldeia Maracanã abrigou o antigo Serviço de Proteção ao Índio – fundado pelo marechal Cândido Rondon em 1910 – e o Museu do Índio. Desde 1978, no entanto, o prédio ficou abandonado e foi ocupado em 2006 pelos membros da Aldeia Maracanã.
 
Segundo a Emop (Empresa de Obras Públicas do Estado), "a demolição do prédio do ex-Museu do Índio integra o projeto de modernização do complexo do Maracanã, sendo parte importante na questão da mobilidade."
 
As obras do Maracanã devem ser finalizadas em abril, com a formalidade de entrega do estádio à Fifa prevista para o dia 28 de maio.

Fonte: BBC Brasil, 18.01.13, disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/01/130116_indios_tukano_cq_mdb.shtml

ONGs buscam novas formas de mobilizar colaboradores

Mariana Della Barba



Antes, o meio mais comum para lutar contra a caça às baleias, era assinar um abaixo assinado. Para protestar contra um político corrupto, era preciso organizar manifestações com milhares de pessoas.

Mas a popularização da internet virou esse cenário de cabeça para baixo. Em poucos segundos, você protesta a favor dos índios, doa dinheiro para as crianças refugiadas do outro lado do mundo, pressiona um político para votar ou não em um projeto de lei.

"O ativismo online é muito mais potente. A internet é um tipo de púlpito, que antes o cidadão não tinha", afirma Pedro Abramovay, diretor da ONG internacional Avaaz, que promove principalmente petições online.
Greenpeace usa balão apra fazer protesto contra aprovação do Código Florestal

"A internet conecta pessoas que nunca se conectariam porque antes, para protestar, havia um filtro formado por organizações como partidos ou sindicatos. Eles são extremamente importantes, mas podem não ter interesse em determinados assuntos. E hoje não se tem mais a necessidade desses 'intermediários'".


Agora, se por um lado, a internet faz com que essas manifestações alcancem muito mais gente, essa mudança trouxe consigo alguns novos desafios, segundo os ativistas. Um deles é fazer com que pessoa que "curtiu" uma campanha no Facebook continue atuando em outras ações daquela ONG.


Renata Neder, coordenadora de direitos humanos da Anistia Internacional no Brasil, conta que dá muito trabalho manter as pessoas engajadas.

"O segredo é saber usar o potencial de cada colaborador. Identificar que tipo de perfil ele tem. Se pode contribuir editando um vídeo ou se fantasiando para algum protesto."

Ataques em várias frentes

Identificar o perfil de seus colaboradores também é uma estratégia usada pelo Greenpeace para mantê-los engajados.


"É preciso ver como se comunicar com cada um deles, já que um quer receber notícias via Facebook, outro quer por email, outro não quer receber tanto email. Então, separamos em nichos, 'à mão mesmo', para ver as necessidades de cada um", conta Elcio Figueiredo, coordenador de campanhas do Greenpeace.


E para buscar e manter esse simpatizantes, a ONG ambiental "ataca" em várias frentes, já que hoje tem canais e páginas no Facebook, Twitter, Google+, Flickr e YouTube.


"É preciso manter um ciclo de comunicação com essas pessoas, para que ela continue participando. Procuramos fazer isso de uma forma bem direta, até personalizada, explicando o resultado de ações, enviando convites específicos para eventos na cidade onde ela vive e até telefonando", conta Figueiredo.

'Ativismo de sofá'

Outra estratégia usada pelas ONGs é combinar diferentes formas de mobilização, seja em mídias sociais ou em seus desdobramentos "na vida real", como atos públicos por exemplo. E aí entra outra dificuldade do ativismo atual: convencer as pessoas a saírem da frente do computador e ir para as ruas.


"Talvez o principal desafio das organizações hoje seja justamente cobrir essa lacuna entre agir no online e no offline", diz Figueiredo, do Greenpeace.


Em inglês, usa-se o termo "slacktivism" (algo como ativismo preguiçoso) para designar uma situação em que a pessoa apoia uma causa do modo mais simples possível, como clicar em um link, e sente que já cumpriu seu papel, que já fez a sua parte.


Para vencer esse "ativismo de sofá", como a expressão costuma ser traduzida em português, o Greenpeace tenta envolver o colaborador, fazendo convites e produzindo um conteúdo mais direcionado para o seu perfil, para fazê-lo se sentir mais próximo e assim convencê-lo a sair de casa.


"Também tentamos identificar como essa pessoa trabalha online. Se ela é bem ativa na internet, há uma maior chance de ela ter um grande poder de mobilização, um maior conhecimento das causas que defendemos e, assim, uma maior possibilidade de ela participar em eventos offline", afirma Figueiredo.


Para Abramovay, da Avaaz, dizer que ativismo online é pior ou menor que o offline é tirar das pessoas um espaço muito importante, já que muitos passam boa parte do dia na internet.


"O importante é ver como é o meio mais efetivo - e pode ser inclusive uma mobilização de 50 pessoas, mas que por trás dela pode ter 100 mil.

Menos é mais?

Mas se por um lado muitas ONGs tentam driblar o "ativismo de sofá", a ideia nem sempre é organizar megamanifestações públicas, como se fazia antigamente.


"Atualmente, ato público não significa mobilização de massas. Hoje, basta ser algo que chame atenção. Não é mais preciso reunir 10 mil pessoas para atingir o objetivo de uma campanha", diz Renata Neder, coordenadora de direitos humanos da Anistia Internacional no Brasil.


"Mesmo porque, além de ser difícil mobilizar 10 mil pessoas, às vezes atos assim são criticados por atrapalhar o trânsito. Assim, algo criativo pode chamar mais atenção", afirma a coordenadora da Anistia.

Fonte: BBC Brasil, 19.01.13, disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/01/130116_ongs_estrategia_mdb.shtml

Voltei, mas com o coração cheio de saudades...



Bom dia, amig@s. 

Enfim, retornei das férias. Aos poucos, retomarei o ritmo das mídias sociais. O descanso só não foi melhor porque ao chegar recebi a triste notícia da partida do nosso querido Padre Haroldo, pregador coerente que fez de sua vida uma labuta diária e obstinada em busca de justiça social e felicidade para tod@s os povos, sobretudo os necessitad@s.


Sou feliz por tê-lo conhecido e imensamente afortunado pela honra de haver usufruído de seus ensinamentos. Fiquei muito triste com a notícia de sua partida, mas ao mesmo tempo conformado imaginando o encontro do incansável guerreiro com o Pai que tanto amou. Torço para que sua mensagem social e humana de amor, generosidade e esperança permaneça no coração d@s que o conheceram, a fim de que seja irradiada, mais e mais, a cada dia. A humanidade, sobretudo o segmento mais carente, sem dúvida alguma, agradecerá.


Obrigado, querido Padre Haroldo, por tudo. Serei eternamente grato pelo carinho e pelas mensagens de apoio e confiança, em especial as recebidas nos últimos meses. Descanse em paz, meu querido amigo.

Marcelo Uchôa

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Férias!!

Amig@s, 

Estarei viajando de férias até o dia 21/01. Blog, Face, Twitter e etc estarão sem movimento regular até lá. 

Um forte abraço e até o retorno.

Marcelo Uchôa

* Imagem extraída da internet

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

1º de Janeiro: Dia Mundial da Paz

A consolidação de uma Cultura de Paz somente será possível com o convencimento, o comprometimento ético e a participação efetiva de todas as pessoas no processo. Façamos nossos esforços no sentido de promover o fortalecimento da rede de proteção aos direitos humanos. Eis aí o melhor caminho para contribuir com a conversão do mundo em celeiro fértil de fraternidade, solidariedade e justiça. Que 2013 seja reconhecido por  todos os povos com o ano sagrado da Paz!

All we are saying is give peace a chance
Tudo o que estamos dizendo é dê uma chance a paz
(John Lennon)


* Imagem ilustrativa retirada da internet.

Blog Marcelo Uchôa

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Feliz 2013!!

Que o ano vindouro seja próspero em solidariedade, tolerância e justiça social. Oxalá a humanidade seja grande para reconhecer seus erros e não repeti-los, corroborando com a perpetuação de uma ambiência pacífica e fraterna paras as gerações presentes e futuras.

Tudo o que você precisa é de amor! / All you need is love!
(Beatles)

Foto: Reveillon/2012, Fortaleza/CE (da internet)

Blog Marcelo Uchôa

sábado, 29 de dezembro de 2012

Governo uruguaio entrega à família restos mortais de um desaparecido na Argentina

28/12/2012

 
Da Telam

Brasília – O presidente do Uruguai, José Mujica, entregou à família os restos do uruguaio Alberto Mechoso, sequestrado e desaparecido em 1976, em Buenos Aires. "É um um momento contraditório", com "muita dor", mas também com "certa alegria", disse Mujica. A urna com os restos de Mechoso, identificados en maio deste ano pela Equipe Argentina de Antropologia Forense, foi entregue à mulher e aos filhos do desaparecido na sede do governo uruguaio. A família decidiu realizar velório público e seguir em marcha até o Cemitério do Cerro para o sepultamento.


Há sete meses, quando soube da identificação dos restos mortais, a viúva, Beatriz, que também foi exilada e detida clandestinamente em Buenos Aires, em meados da década de 1970, disse que se sentiu "muito triste e em choque".

A coordenadora da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Graciela Jorge, destacou a importância de terem voltado ao Uruguai os restos mortais de Mechoso para que sua  família lhe desse um enterro digno e se cumprisse um direito fundamental, que é o do direito à verdade, ignorada durante décadas.

O presidente Mujica, ex-guerrilheiro de 77 anos, que ficou 13 anos preso durante a ditadura que governou o Uruguai (1973-1985), participou do ato, mas não faz declarações à imprensa. "Foi um momento de muito recato e grande respeito. Não houve discursos. Apenas foi firmado um documento de entrega dos restos à família", disse Graciela.

Alberto Mechoso, sindicalista e fundador do PVP, partido de esquerda, que junto com o grupo Tupamaros enfrentou a ditadura uruguaia, foi sequestrado em setembro de 1976 em Buenos Aires por forças de segurança, que participavam da Operação Condor, um plano de ação coordenada entre os regimes militares de países sul-americanos contra seus opositores. Posteriormente, Mechoso foi levado a um centro de detenção clandestino, onde foi torturado e visto pela última vez por pessoas que sobreviveram aos maus-tratos. Logo, foi assassinado e seu corpo desapareceu.

Os restos foram localizados anos depois, no interior de um tanque de petróleo com cimento, no Canal São Fernando, junto com outros corpos, entre os quais o de Marcelo Gelman, filho do poeta argentino Juan Gelman. A identificação dos restos foi feita mediante comparação com amostras genéticas de sua família enviadas pela Secretaria de Direitos Humanos do Uruguai.

Seis militares e dois policiais foram condenados a penas entre 20 e 25 anos de prisão pello caso de Mechoso e mais 27 uruguaios detidos e desaparecidos na Argentina.


Fonte: Agência Brasil, 28/12/12, disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-12-28/governo-uruguaio-entrega-familia-restos-mortais-de-um-desaparecido-na-argentina

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Sobre os objetivos da Comissão Nacional da Verdade


Cláudio Fonteles: objetivo da Comissão da Verdade é resguardar a democracia
 
‘O que importa é criarmos uma grande rede protetiva da democracia’, diz Coordenador da comissão

Tatiana Farah, O Globo

SÃO PAULO — Ex-procurador-geral da República, Cláudio Fonteles mergulha nos papéis do Arquivo Nacional duas vezes por semana. Com milhares de documentos, quer recriar a ação da ditadura militar na violação de direitos humanos. Produziu mais de uma dezena de análises. 

“Redescobri os arquivos”, diz ao GLOBO o coordenador da Comissão da Verdade, cuja meta é eliminar o risco de outro regime militar no país.
 
Que balanço o senhor faz deste primeiro ano, na verdade, sete meses da Comissão da Verdade?

Um balanço bem positivo. O grande propósito foi estabelecer um alto diálogo participativo com a sociedade. E conseguimos atos concretos nesse sentido. Viajamos por diversas partes do país, debatemos com a sociedade e com instituições oficiais sobre o período, tendo como objetivo que, nunca mais, nós, brasileiros, tenhamos de viver para nossos conflitos uma solução de Estado ditatorial militar, que é truculento, violento e assassino. Para isso, importa que criemos uma grande rede protetiva da democracia.


Como o senhor vê a restauração de nomes atacados na ditadura, como deputados cassados que voltaram ao Congresso, e a recuperação de espaços usados pelo regime, como a Casa da Morte de Petrópolis, que está sendo desapropriada?

Sobre isso (Casa da Morte), mandei ofícios ao governador Sérgio Cabral e ao prefeito Eduardo Paes. Assim como para o governador de São Paulo e o do Rio Grande do Sul, onde havia também uma casa da morte, para que esses espaços, no passado porões da ditadura, sejam transformados em áreas em que a sociedade se manifeste, com atitudes concretas de cinema, teatro, debates, em defesa da democracia.

A ocupação desses espaços funciona como vacina?
Não tenho a menor dúvida. E, mais do que vacina, é para encorajar as pessoas, que saiam dessa letargia e venham conhecer, profundamente, o quão brutal, terrível e tenebroso é o Estado ditatorial militar.

A Comissão já falou da dificuldade de receber documentos por parte dos militares. Como está essa relação?
A relação é de diálogo. Pedimos ao ministro da Defesa (Celso Amorim) que nos venham esclarecimentos sobre dados concretos, pontuando situações concretas. Houve diálogo muito franco com o ministro e com os comandos militares. Isso foi feito recentemente. Há um prazo. E a gente aguarda que essas respostas venham pontuando esclarecimentos.

As primeiras respostas dos militares davam conta de que os documentos haviam sido queimados ou destruídos...
A Comissão marcou posição clara em três pontos. Primeiro, mostrou que a tese, sustentada pelo (ex-) ministro (Nelson) Jobim, da Defesa, de que foi legal o procedimento de eliminação de documentos, não estava certa e de que isso era ilegal. O outro ponto diz respeito à correção do registro de morte, como no caso de Vladimir Herzog. E a outra posição foi mostrando que não existem dois lados.

A partir dos depoimentos colhidos, é possível entender a cadeia de comando dos militares? Há colaboração nos depoimentos de militares?
Minha área não é de coleta de depoimentos, mas a prova documental. Estou toda a semana no Arquivo Nacional, mergulhado lá. São provas até então secretas, pelo próprio sistema ditatorial militar. Mas temos também as equipes que se dedicam mais à coleta de depoimentos.

O senhor recebeu os arquivos do ex-comandante do DOI Julio Molinas Dias, morto recentemente em Porto Alegre?
Sim, e estou trabalhando com esses documentos. Não posso adiantar assim porque a matéria não está fechada, para usar a linguagem jornalística (risos).

É o único acervo de documentos particulares que o senhor obteve?
Fora dos arquivos públicos, só recebi este. Estamos trabalhando no Arquivo Nacional e no Dops de São Paulo também.

E os arquivos do major reformado Sebastião Curió sobre a Guerrilha do Araguaia?
São arquivos privados. É preciso primeiro criar toda uma grande estrutura e depois ver as medidas a serem adotadas.

No caso Curió, esses documentos têm interesse público?
A documentação que estou avaliando da Operação Araguaia é enorme. Tem um acervo do Serviço Nacional de Informação (SNI) e ainda estou montando esse quadro. Depois de ver essa produção própria do SNI, do Cenimar (Centro de Informações da Marinha), do CIE (Centro de Informações do Exército), posso casar com os documentos existentes com pessoas. Minha primeira rede de abordagem é criar um quadro a partir desses grandes centros de informação aos quais essas pessoas se vincularam. Depois, posso complementar com alguma prova existente em documento particular.

Qual será o desafio deste próximo ano para a Comissão?
Não vamos esmorecer. Até então, eu tinha uma visão equivocada de um arquivo público. Mas nunca é tarde para se aprender na vida. Minha ideia de arquivo era uma coisa de papel imprestável. Até pleonasticamente, “arquivo morto” não tinha nenhum significado e jazia em um espaço de depósito. Não é nada disso! Aprendi que ali há uma fonte inesgotável de produção de conhecimento. Quero me manter entusiasmado com isso até depois que a Comissão acabar. Porque a Comissão termina, mas continuamos defendendo a democracia.

Como vê as críticas de setores militares de que a Comissão é um revanchismo?
Respeito a pessoa que pensa assim, mas não é isso. Não há dois lados, nem revanchismo. Temos de cumprir a lei, e ela diz que o Estado ditatorial militar brasileiro violou gravemente os direitos da pessoa humana por seus agentes públicos.

Fonte: Blog Luis Nassif Online, 26/12/12, disponível em: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/sobre-os-objetivos-da-comissao-nacional-da-verdade

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz Natal e venturoso 2013!

Desejo a tod@s um Natal de amor e luz em família e um 2013 de memoráveis conquistas e realizações. Que sejamos sábi@s para não repetir os erros cometidos, e que tenhamos forças para continuar buscando um mundo melhor, mais justo e fraterno para tod@s.

Um abraço,


Marcelo Uchôa

Foto: Praça do Ferreira (Fortaleza/CE). Retirada do Arquivo G1, em 24/12/12, disponível em: http://g1.globo.com/ceara/noticia/2012/11/show-de-jorge-vercillo-abre-natal-de-luz-em-23-de-novembro-em-fortaleza.html

sábado, 22 de dezembro de 2012

Dilma se compromete a combater violência contra catadores e moradores de rua

21/DEZ/2 - Dilma se compromete a combater violência contra catadores e moradores de rua
Foto: Agência Brasil
A presidenta Dilma Rousseff se comprometeu nesta sexta-feira (21) a se empenhar durante o próximo ano no combate à violência contra moradores de rua e catadores de material reciclável. Durante o Natal dos Catadores, encontro anual que reúne integrantes do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis e do Movimento Nacional da População em Situação de Rua, na capital paulista, Dilma considerou inadmissível que essas pessoas continuem sofrendo atentados e sendo mortas no país. A Ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos (SDH/PR), participou da atividade.

"Defendemos o Plano Brasil Mais Seguro. É preciso uma parceria entre os governos dos estados e municípios e o federal. No governo federal não temos Polícia Militar, mas nossa ação é dar suporte para os estados e municípios. Gostaria que no ano que vem, quando chegássemos aqui, disséssemos que conseguimos realizar todas as reivindicações."

Dilma ressaltou a necessidade de combater também a impunidade. "Proponho a participação de todo o governo na questão. Mas só tem um jeito de combater a impunidade, que é mobilizando a sociedade e as igrejas. Não só a católica, mas a evangélica, a espírita. Também é importante a presença do Ministério Público nesta questão."

A presidenta também destacou os investimentos feitos para auxiliar os catadores de materiais recicláveis. No total, foram investidos R$ 240 milhões em ações de fortalecimento de cooperativas e associações. "Nossa maior vitória veio com a Expocatadores, quando entregamos os primeiros cartões do Banco do Brasil e BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] para que eles possam acessar a linha de crédito especial para financiar máquinas e equipamentos para o dia a dia."

Ela falou ainda que, apesar de os catadores serem empreendedores e ressaltarem que não querem depender de dinheiro do governo, é importante que façam parte dos programas Bolsa Família e Brasil Carinhoso até conquistarem a estabilidade financeira. "Todas as famílias com crianças e adolescentes até 15 anos têm direito a receber R$ 70 para cada membro da família. As mães precisam ter uma complementação de renda."

Este é o segundo ano em que Dilma participa do encontro como presidenta da República. No último ano da gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que prestigiou o evento durante os oito anos em que esteve na Presidência, Dilma o acompanhou e se comprometeu a continuar participando todos os anos.

Entre os ministros que acompanharam Dilma estavam o da Educação, da Saúde e das secretarias de Comunicação, dos Direitos Humanos e de Assistência Social.

Agência Brasil
 
Fonte: SDH-PR, 21/12/12, disponível em: http://portal.sdh.gov.br/clientes/sedh/sedh/2012/12/21-dez-2-dilma-se-compromete-a-combater-violencia-contra-catadores-e-moradores-de-rua