sexta-feira, 6 de julho de 2012

Videla é condenado a 50 anos de prisão por rapto de bebês

05 de julho de 2012 18h44 atualizado às 19h38


Os ex-ditadores argentinos Jorge Videla e Reynaldo Bignone, à espera da sentença no histórico julgamento em Buenos Aires. Foto: AP
Os ex-ditadores argentinos Jorge Videla e Reynaldo Bignone, à espera da sentença no histórico julgamento em Buenos Aires
Foto: AP

O ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla foi condenado nesta quinta-feira a 50 anos de prisão por rapto de bebês como parte de um plano sistemático executado durante o último governo militar na Argentina (1976-1983). A Justiça do país considerou provados seus crimes contra a humanidade "por meio da prática sistemática e generalizada de subtração, retenção e ocultação de crianças menores de 10 anos" no contexto de um "plano geral de aniquilação" contra parte da população civil com o argumento de acabar com a "subversão" durante a ditadura militar.

Considerado um processo "emblemático" pelas organizações de Direitos Humanos, o julgamento começou com uma denúncia das Avós da Praça de Maio e envolveu mais de 30 casos. Além de Videla, sentaram-se no banco dos réus o também ex-ditador Reynaldo Bignone, condenado a 15 anos, Antonio Vañek, almirante reformado condenado a 40 anos, o ex-capitão de fragata Jorge Eduardo Acosta, sentenciado a 30, e o ex-general Omar Riveros, a 20, entre outros repressores da ditadura militar.

Sentado na primeira fila, Videla escutou, sem demonstrar qualquer reação, o anúncio de sua pena, que se soma a uma de prisão perpétua também por crimes contra a humanidade em seu período à frente do governo argentino. Segundo estimativas de organizações humanitárias, 105 crianças que foram raptadas durante a ditadura recuperaram suas identidades, embora ainda haja mais de 400 denúncias pendentes por casos similares.

Fonte: terra.com.br, 05/07/12, disponível em: http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5879653-EI8140,00-Videla+e+condenado+a+anos+de+prisao+por+rapto+de+bebes.html

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Fórum do Movimento de População de Rua acontece em clima de fraternidade


Ontem, 04/07, ocorreu no auditório da Secretaria Executiva Regional III, o Fórum do Movimento de Pessoas em Situação de Rua. O tema discutido foi “Direitos Humanos e Políticas Públicas”, participando como debatedores o Assessor de Programas e Ações Afirmativas da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas dos Direitos Humanos (COPDH/CE), Roger Cid, e o Coordenador do Núcleo de Direitos Humanos para Pessoas em Situação de Rua da CNBB, Naílson Sousa.

No evento, foram apresentadas as ações da COPDH/CE para a População em Situação de Rua, com enfoque na política Estadual, e as estratégias para formação de um Comitê Estadual de Políticas para as Pessoas em Situação de Rua que deve ser constiuído em futuro próximo. 
A discussão foi mais uma ação da COPDH/CE em parceria com movimentos sociais engajados na luta pela efetivação de ações estaduais concretas voltadas a este segmento social, bem como para informar os serviços já disponíveis no Estado para a promoção e defesa dos Direitos Humanos.

Foto: Da internet

Fonte: ASCOM / COPDH, 05/07/12, disponível em: http://copdhce.blogspot.com.br/2012/07/forum-do-movimento-de-populacao-de-rua.html

COPDH pretigia lançamento do PAIR em São Gonçalo do Amarante


Ontem, 04/07, a Coordenadoria Especial de Políticas Públicas dos Direitos Humanos do Governo (COPDH/CE) participou do lançamento do Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil – PAIR, no município de São Gonçalo do Amarante.

O PAIR é uma ação do Programa Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Trata-se de uma metodologia de articulação de políticas e de intervenção de redes, assentada na doutrina da proteção integral da criança e do adolescente, tendo por base os eixos do Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil.

O município de São Gonçalo do Amarante-CE foi contemplado com a implantação do PAIR por ser considerado rota turística no Estado, principalmente estando às vésperas da Copa do Mundo de 2014, e também, pelo impacto socioeconômico do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, que vem promovendo intenso desenvolvimento econômico e substancial crescimento da população daquela localidade.

As bases fundamentais do PAIR foram apresentadas pelo Assessor de Políticas para Crianças e Adolescentes da COPDH/CE, Joatan Freitas, a partir do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-III) e do Plano de Governo do Estado, que, na seção do turismo, Diretriz 5, trata especificamente da Copa do Mundo de 2014, constando como Intersetorialidade 5 o fortalecimento da política de enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes, garantindo a efetivação do ECA.

Foram citados dados de pesquisas, objetivos e metodologia do PAIR, e ainda informado que, além de São Gonçalo e Fortaleza, serão contemplados com o programa outros 20 municípios cearenses: Maracanaú; Maranguape; Itaitinga; Horizonte; Eusébio; Aquiraz; Pindoretama; Cascavel; Beberibe; Fortim; Aracati; Icapui; Caucaia; Paracuru; Paraipaba; Trairi; Acaraú; Itapipoca; Camocim; Jijoca de Jericoacoara.

Participaram do evento várias intituições da sociedade civil, representantes de órgãos públicos e autoridades, entre elas, a Deputada Estadual Bethrose; a representante da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), Edny Lemos; do município, o Secretário de Ação Social, Erinaldo Soares; a Secretária de Educação, Fátima Mendes; a Secretária de Saúde, Emília de Castro; o coordenador do PAIR, Janivaldo Ferreira; o representante do GMAIS, Amália Coelho; o representante do CREAS, Manoel Paiva; o presidente do Conselho Tutelar, Gildenor Barbosa; o presidente do Conselho Municipal de Direito da Criança, Lucineide Frota e o Assessor de Políticas para Crianças e Adolescentes da COPDH/CE, Joatan Freitas.

Foto: Mesa de honra.

Fonte: ASCOM / COPDH, 05/07/12, disponível em: http://copdhce.blogspot.com.br/2012/07/copdh-pretigia-lancamento-do-pair-em.html

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Senado aprova remuneração e direitos trabalhistas para conselheiros tutelares

Data: 04/07/2012

O Plenário do Senado aprovou na tarde desta quarta-feira (4) o substitutivo da Câmara ao PLS 278/2009, que institui remuneração e direitos trabalhistas para os conselheiros tutelares de todo o país. O texto determina que os conselheiros tenham direito a cobertura previdenciária, férias, 13º salário, licença-maternidade e licença-paternidade. Outra mudança importante prevê a escolha dos conselheiros de todo o País em data unificada nacionalmente, a cada quatro anos. A matéria segue para sanção presidencial. 

04/JUL/12 - Senado aprova remuneração e direitos trabalhistas para conselheiros tutelaresA aprovação do projeto, na avaliação da ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), é uma grande conquista para a meta estratégica do governo da presidenta Dilma Rousseff de fortalecer e qualificar os conselhos tutelares. “Acompanhamos todo o processo, para garantir avanços na política de valorização desses profissionais, que atuam no atendimento às demandas da infância e da adolescência brasileira”, afirmou a ministra. 
O Brasil possui 5.925 Conselhos Tutelares, em 98% dos municípios, o que corresponde a cerca de 29.600 conselheiros tutelares.

Para a secretária Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da SDH/PR, Carmen Silveira de Oliveira, o conselheiro é uma figura ímpar, que passou a ser introduzida no Brasil a partir do Estatuto da Criança e do Adolescente. “A experiência é única no Mundo. O conselheiro é escolhido pela própria comunidade e tem uma autonomia tanto como defensor comunitário, quanto como referência para proteção das crianças e adolescentes na comunidade” explica, reforçando que o desafio a partir de agora é melhorar a formação dos conselheiros.

Mudanças - Os critérios para unificação do processo de eleição estarão em lei específica, que o Executivo deve encaminhar em 90 dias. Cada conselho tutelar tem cinco membros, escolhidos pela população local. O projeto prevê que o mandato passará de três para quatro anos.

Em cada município e região administrativa do Distrito Federal, haverá no mínimo, um Conselho Tutelar como órgão integrante da administração pública local, composto de cinco membros, escolhidos pela população local para mandato de quatro anos, permitida uma recondução, mediante novo processo de escolha. O relator da matéria no Senado foi o senador Gim Argello (PTB-DF).

Assessoria de Comunicação Social 

Fonte: SDH-PR, 04/07/12, disponível em: http://portal.sdh.gov.br/clientes/sedh/sedh/2012/07/04-jul-12-senado-aprova-remuneracao-e-direitos-trabalhistas-para-conselheiros-tutelares

Caso Zé Maria do Tomé é tema de reunião com Conselho Nacional

Na tarde desta quarta-feira, 04/07, a Coordenadoria Especial de Políticas Públicas dos Direitos Humanos do Governo do Ceará (COPDH) esteve presente em reunião com representantes do  Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH). Em pauta, o caso do assassinato do líder ambiental de Limoeiro do Norte, José Maria Filho, "Zé Maria do Tomé".

O objetivo do encontro foi dialogar sobre os desdobramentos finais das investigações acerca de referido crime. A missão do CDDPH foi coordenada pelo vice-presidente do CDDPH, Dr. Percílio de Sousa Lima Neto. Também integram o grupo a representante do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais dos Ministérios Públicos dos Estados e da União, Ivana Farina Navarrete Pena, a coordenadora-geral do CDDPH na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), Clarissa Rihl Jokowski e a assessora Izabela Cronemberger Lima.
 
Participaram do encontro o Superintende da Polícia Civil no Ceará, Luiz Carlos Dantas, a assessora Carmen Nunes, da Secretaria Estadual da Justiça. Pela COPDH participaram os assessores Weibson Braga e Roger Cid. A reunião aconteceu na sala de reunião do COPEM/SEJUS.

Fonte: ASCOM / COPDH, 04/07/12, disponível em: http://copdhce.blogspot.com.br/2012/07/na-tarde-desta-quarta-feira-0407.html

Comitê de Gestores Estaduais em Direitos Humanos se reúne novamente

Foi realizada na manhã de hoje, 04/07,  na Sala de Reuniões do Gabinete do Governador, encontro do Comitê de Gestores Estaduais de Direitos Humanos do Estado do Ceará (CGEDH/CE). 

Participaram os(as) seguintes representantes de órgãos: Ângela Maia e Juarinda Barreira do Conselho de Políticas e Gestão para o Meio Ambiente (COPAM), Isadora Pimentel e Luciana Ferreira Gomes da Defensoria Pública Geral de Estado do Ceará (DPGE/CE), Luciana de Sousa da Coordenadoria de Diversidade Sexual – LGBTT, Roberta Medeiros da Secretaria da Justiça e Cidadania (SEJUS), Vanessa Leal da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), Adriano Costa da Secretaria do Planejamento e Gestão (SEPLAG), Francisco das Chagas Silva da Secretaria das Cidades (SCIDADES), Mariana Abreu da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Márcia Albuquerque da Coordenadoria Especial da Igualdade Racial (CEPPIR), Noélia Pinheiro da Secretaria da Saúde (SESA) e Mônica Barroso da Coordenadoria Especial da Mulher (CEPAM). Os trabalhos foram facilitados pelos Assessores Weibson Braga e Neyla Meneses, da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas dos Direitos Humanos do Governo (COPDH).

Com apresentação de atividades dos representantes do COPAM e da DPGE, os integrantes do Comitê puderam discutir acerca das potencialidades e apoio às práticas conduzidas pelos referidos ógãos.
 
A próxima reunião do CGEDH está marcada para o dia 29/08 (quarta-feira), 08h30min, na sala de reuniões do GABGOV. Em referido encontro serão apresentadas as ações de direitos humanos da Secretaria de Saúde (SESA), da Secretaria das Cidades (SCIDADES) e da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS).

Fonte: ASCOM / COPDH, 04/07/12, disponível em: http://copdhce.blogspot.com.br/2012/07/comite-de-gestores-estaduais-em.html

terça-feira, 3 de julho de 2012

Brasil tem 680 mil pessoas morando em áreas de risco

02/07/2012 - 18h21
Nielmar de Oliveira
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Dados divulgados hoje (2) pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) indicam que existem atualmente no país pelo menos 680 mil pessoas morando em áreas consideradas de risco alto ou muito alto de deslizamento de terra ou inundações.

O levantamento faz parte do Programa de Gestão de Risco e Resposta a Desastres Naturais do Governo Federal, coordenado pela Casa Civil da Presidência da República, e implementado em parceria com instituições como o Serviço Geológico do Rio de Janeiro, o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) e o Ministério da Integração Nacional.

Esse número ainda deve aumentar, uma vez que a CPRM monitorou, até agora, cerca de 140 municípios, número que chegará, até o final do ano, a 286 municípios, saltando para 821 em todo país até 2014, quando o projeto será concluído.

O diretor do Serviço Geológico do Brasil, Thales Sampaio, disse que, apesar do levantamento ter sido feito pelo órgão em apenas 140 municípios, já foram encaminhados para o Cemaden dados relativos a cerca de 180 cidades , uma vez que foram utilizadas informações já existentes em poder de outras instituições e que foram digitalizadas e geoprocessadas pela CPRM.

“O estudo comprovou, principalmente, que ainda temos muita gente morando em áreas de risco alto e muito alto. São áreas susceptíveis a desastres naturais. Seiscento e oitenta mil pessoas moram atualmente em municípios com áreas consideradas de risco alto ou muito alto – susceptíveis a desastres naturais”, disse Sampaio.

Entre os municípios já analisados estão dois considerados críticos no Acre, 58 nos nove estados da Região Nordeste e o restante em todos os estados do Sudeste e Sul do país.

“Embora tenhamos problemas em toda a parte, a situação mais critica é na Região Sudeste, em função da maior concentração populacional e da pressão da população, que leva à ocupação de encostas e morros que não deveriam estar ocupados por oferecem riscos de desabamento e deslizamentos de terra”, disse.

Na avaliação do presidente da CPRM, o principal problema é a utilização inadequada do território. “Se você utiliza uma área que não é própria para ser usada como moradia e o estado deixa você utilizar, essa área não tem saneamento básico, não tem segurança e, neste caso, a favelização é também uma decorrência da má utilização de áreas impróprias”.

Edição: Fábio Massalli

Fonte: Agência Brasil, 02/07/12, disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-07-02/brasil-tem-680-mil-pessoas-morando-em-areas-de-risco

Governo brasileiro nega pressão para entrada da Venezuela no Mercosul

02/07/2012 - 20h05
Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil 

Brasília - O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, defendeu hoje (2) a decisão do Mercosul de suspender o Paraguai do bloco após a destituição de Fernando Lugo da Presidência do país e rebateu as declarações do chanceler do Uruguai, Luis Almagro, de que o Brasil teria pressionado as negociações para a entrada da Venezuela no grupo.

 Em entrevistas à imprensa uruguaia, Almagro disse que o país dele era contrário à entrada da Venezuela no Mercosul e que a decisão foi influenciada pelos governos do Brasil e da Argentina. Durante a Cúpula do Mercosul, na última semana, ficou decidido que o país de Hugo Chávez fará parte do bloco a partir do dia 31 de julho.

“A posição que o Brasil levou à reunião na Argentina foi fortemente amparada por critérios jurídicos, pedimos um longo parecer da Advocacia-Geral da União para ver quais alternativas se aplicavam no caso. Tanto a suspensão do Paraguai quanto a entrada da Venezuela no Mercosul, que já havia sido aprovada pelos congressos, foram fortemente amparados nesse parecer jurídico”, justificou Garcia.

Segundo o assessor internacional, fazer pressão sobre outros países não combina com o estilo da diplomacia brasileira nem com o a presidenta Dilma Rousseff, principalmente com nações próximas. “Não fizemos pressão sobre nenhum país. Foi uma decisão tomada pelos três presidentes e suas chancelarias, refletiu um consenso político. O Brasil não faz isso e menos ainda o faria em relação a governos com os quais temos uma associação tão íntima, seja do ponto de vista geopolítico, seja do ponto de vista inclusive pessoal, como são os governos do Uruguai e da Argentina”.

Garcia disse que Dilma reiterou a posição do Mercosul de não aplicar sanções econômicas ao Paraguai e informou que a Venezuela voltará atrás na decisão de suspender o fornecimento de combustíveis ao país. “Houve um acordo do presidente Chávez de manter o abastecimento de combustíveis para o Paraguai e nós apreciamos muito essa decisão”.
 
O governo brasileiro, segundo Garcia, manterá compromissos econômicos firmados com o Paraguai apesar da crise política, inclusive a construção de uma linha de transmissão entre a Usina Hidrelétrica de Itaipu e a capital paraguaia, Asssunção. “O Brasil não criará nenhuma dificuldade de ordem econômica”.
 
Edição: Rivadavia Severo

Fonte: Agência Brasil, 02/07/12, disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-07-02/governo-brasileiro-nega-pressao-para-entrada-da-venezuela-no-mercosul

MP investiga 70 casos para abrir processos contra agentes do regime militar

Protestos pela prisão de torturadores (Foto AP)


Jovens protestam para pedir a prisão de torturadores do regime militar durante a Rio +20: debate reaberto

O Ministério Público Federal (MP) está investigando mais de 70 casos de abusos aos direitos humanos cometidos pelo regime militar para propor ações criminais contra agentes da repressão responsáveis por mortes ou desaparecimentos no Brasil.

A informação é do Procurador da República Marlon Weichert, que conversou com a BBC Brasil durante um seminário do Transitional Justice Research Group da Universidade de Oxford para discutir o que vem sendo chamado de "justiça de transição" - as medidas e iniciativas introduzidas em vários países para lidar com violações aos direitos humanos de regimes autoritários e guerras civis.
No entendimento de alguns promotores brasileiros, a Lei de Anistia, que tem garantido impunidade por abusos contra direitos humanos cometidos durante o regime militar, não pode ser aplicada em casos de crimes mais graves, como sequestro, tortura e morte sob custódia.

Eles argumentam que a decisão da Corte Interamericana dos Direitos Humanos sobre o caso Araguaia trouxe novos parâmetros para a interpretação da Lei de Anistia, e estão empenhados em levar militares e policiais ao banco dos réus com base nessa nova interpretação.

Em 2010, a Corte exigiu que o Brasil investigasse e punisse os responsáveis pelas mortes no Araguaia e condenou o uso da Lei de Anistia para impedir a perseguição criminal de agentes da repressão.

Envolvido nas buscas de corpos de desaparecidos desde 1999, Weichert é um dos mais ativos defensores dos direitos das vítimas da repressão dentro do Estado brasileiro. Instaurou inquéritos que permitiram a retomada da identificação das ossadas do cemitério de Perus e a reunião de provas sobre a repressão no Araguaia.

Segundo o promotor, dois grupos de trabalho foram criados no MP no ano passado para montar casos contra policiais e militares: um focado em investigações criminais, outro dedicado a ações civis pedindo que torturadores reembolsem o Estado pelas indenizações a suas vítimas.

Um precedente importante nessa área foi criado na semana passada, quando o coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra foi condenado por uma corte paulista a pagar R$ 100 mil a familiares do jornalista Luiz Eduardo Merlino, torturado e morto em 1971.

Ao contrário do que acabou ocorrendo em países como Chile e Argentina, juízes brasileiros ainda resistem muito em aceitar exceções ou reinterpretar a Lei de Anistia.

Antes da decisão da Corte Interamericana dos Direitos Humanos, o Supremo Tribunal Federal respondeu a um pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para revisar a aplicação da Lei de Anistia dizendo que não cabia ao Judiciário revisar o "acordo político" que resultou na adoção dessa lei.

A seguir, a entrevista de Weichert à BBC Brasil:
Marlon Weichert, procurador da República

BBC Brasil - A recusa do Supremo Tribunal Federal de reinterpretar a Lei de Anistia não encerrou o assunto?
Marlon Weichert - Não. A decisão da Corte Interamericana foi emitida depois disso e diz que a anistia não pode barrar punições por violações graves. Ao reconhecer a jurisdição da Corte, o Brasil aceitou que houvesse um duplo crivo para a análise de casos de abusos aos direitos humanos no país. A Lei de Anistia não passou pelo segundo crivo.

BBC Brasil - Mas a decisão da Corte foi ignorada pelo Brasil...
Weichert - Para nós, do MP, a decisão foi um divisor de águas e somos um órgão do Estado. Hoje mais de 70 investigações estão em curso para embasar ações criminais contra policiais e militares - e a maioria foi aberta no último ano.

BBC Brasil - O que mais está sendo feito?
Weichert - Foram formados dois grupos de trabalho no qual estão trabalhando de 20 a 30 promotores. Um para ações civis e outro para criminais. O primeiro grupo abriu oito processos contra torturadores e pessoas que ajudaram a ocultar corpos e há mais dez investigações em curso. Pedimos que agentes da repressão sejam impedidos de exercer cargos públicos, tenham seus proventos de aposentadoria cassados e sejam obrigados a repor aos cofres públicos indenizações pagas a vítimas e familiares.

O segundo grupo toca essas 70 investigações criminais. Duas ações já foram requeridas na Justiça (contra Ustra e o coronel reformado Sebastião Curió). Por enquanto, os juízes não têm sido favoráveis, mas esperamos uma mudança.

Marlon Weichert (Foto Ruth Costas BBC Brasil)
Marlon Weichert: defensor dos direitos das vítimas da repressão dentro do Estado brasileiro

BBC Brasil - Há consenso sobre o tema no MP?
Weichert - Não. Mas os promotores agem com independência. Quando começamos a buscar desaparecidos só eu e uma colega apoiávamos ações criminais. Agora, metade dos promotores parece ser favorável a essa posição. Além disso, no ano passado a Coordenação dos Direitos Humanos e a de Direito Criminal do MP estabeleceu que deveríamos cumprir a decisão da Corte Interamericana.

BBC Brasil - Como essas investigações se articulam com a Comissão da Verdade?
Weichert - Pode haver uma sinergia (entre as investigações), embora não haja dependência. Nossas investigações têm por base pesquisa documental e depoimentos das vítimas.

BBC Brasil - Mas por que o empenho do MP nesse momento? Por que os juízes mudariam de ideia?
Weichert - A Constituição atribuiu ao MP o dever de defender os direitos humanos e buscar ações penais. É nossa obrigação abrir esses processos. Hoje há preconceito dos juristas brasileiros com o direito internacional. Temos uma cultura jurídica de 50 anos atrás. Mas vários países passaram por essa transição e acabaram aceitando a autoridade do direito internacional. No Brasil não será diferente. Na pior das hipóteses em quatro ou cinco anos a decisão da Corte Interamericana acabará sendo cumprida. E mesmo antes disso teremos decisões favoráveis.

BBC Brasil -O Brasil começou sua política de reparações pelas indenizações financeiras. Desembolsou mais de R$ 2 bilhões antes que uma comissão da verdade abrisse o debate sobre os danos a serem reparados. Além disso, as maiores indenizações não foram para parentes dos mortos, mas para aqueles forçados a abandonar altos cargos no período autoritário. Isso tudo não prejudicou a causa das vitimas frente a opinião pública?
Weichert - Talvez esse não tenha sido o melhor caminho, mas foi o caminho possível. Não há receita de bolo para se fazer "justiça de transição". No caso da política de indenizações, o problema foi o desenho das leis que a definem.

BBC Brasil - O que esperar da Comissão da Verdade?
Weichert - Ela cumpre um papel crucial, embora sem punições seu trabalho estaria incompleto. A punição de uma pessoa dissuade outras de cometerem o mesmo crime e ajuda a prevenir de forma geral as violações aos direitos humanos. Ainda assim, a comissão pode ter um grande impacto se ajudar a acabar com os enclaves autoritários nas instituições brasileiras. Ainda temos estatutos escritos na ditadura regendo a ação de militares e policiais.

BBC Brasil - O brasilianista Anthony Pereira, do King's College, diz que o Judiciário brasileiro é reticente em aceitar processos contra militares porque muitos perseguidos políticos passaram pelos tribunais durante o regime. Como vê essa tese?
Weichert - O Judiciário precisa fazer uma autocrítica ao seu papel no regime. O fato de o Congresso e a Justiça continuarem ativos deu uma fachada de legalidade à ditadura e hoje complica a depuração do que aconteceu no Brasil – porque no imaginário de parte da sociedade não houve ruptura. Por isso é importante que a Comissão da Verdade promova uma avaliação do papel das instituições no regime militar. Ela poderia convidar não só o Judiciário, mas também o MP e outras instituições para tentar entender por que aderiram a um sistema arbitrário ilegal. 

Fonte: BBC Brasil, 02/07/12, disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/07/120630_mp_processos_militares_rc.shtml

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Depoimentos acerca do I Curso Brasileiro Interdisciplinar em Direitos Humanos

"O curso representou em minha vida um divisor de águas. Hoje, sinto-me entusiasmado e capacitado para a difusão dos conhecimentos adquiridos, e a contribuir, em alguma medida, para a construção de um mundo melhor."
Hélio Gois Ferreira Neto (UFC - Programa de Pós-Graduação/OAB-CE)

"Considero o curso, de uma forma geral, muito proveitoso no sentido da informação e formação."
José Alves de Sousa (Professor e Tradutor)

"Curso da mais alta relevância para obtenção de conhecimento e reflexão crítica das práticas."
Mônica Sillan de Oliveira (Presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente)

"Meus agradecimentos, e dizer que realmente este curso contribuiu e vai contribuir muito em meus dias."
Cirlândio Rodrigues de Oliveira (Agente Social - CNDDH/PSR-CE)

"Fazer parte desse curso foi uma experiência ímpar, um verdadeiro divisor de águas."
Maria Lúcia S. Pereira (Coordenadora do Movimento Nacional da População de Rua)

"Inesquecível e enriquecedora experiência que provocou profundas reflexões e motivou o desejo de multiplicar esse aprendizado e efetivar mudanças."
Cynthia Corvelho (Universitária - SEJUS - Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa)

"O curso engrandeceu-nos com conhecimentos teóricos e experiências práticas, sobremodo sensibilizadoras quanto ao tema 'direitos humanos'"
Nadinne Sales Callou Esmeraldo Paes (Defensora Pública / DPGE - CE)

"A riqueza do curso deveu-se não só às palestras proferidas pelos renomados e brilhantes professores, mas sobretudo pela troca de experiências entre os(as) alunos(as), que vinham dos mais diversos 'backgrouds'".
Leonardo Resende Martins (Juiz Federal e Diretor do Fórum/CE)

"O curso trouxe, além do excelente conteúdo e do caráter multidisciplinar das palestras, a renovação da fé por meio das experiências trazidas pela sociedade civil, cuja participação foi de ímpar importância para o resgate da sensibilização e da vontade de 'fazer acontecer'".
Giovanna Blanco Magdalena (Defensora Pública do Estado de São Paulo)

"O curso foi um importante momento de compartilhar ideias e propósitos para o fortalecimento de uma cultura de respeito aos direitos humanos."
Leandro Sousa Bessa (Defensor Público / DPGE-CE e Presidente do Conselho Penitenciário do Estado do Ceará)

"Um curso importante, fundamental para o diálogo da construção de um estado que reconheça e garanta direitos."
Maria Íris Tavares Farias (Presidente do Instituto Municipal de Pesquisa, Administração e Recursos Humanos de Fortaleza)

"Foi uma experiência única onde pude compartilhar a minha vivência com pessoas que militam na área de direitos humanos."
Cornelius Okwupili Ezeokeke (Universitário / SEJUS - CE)

Fonte: ASCOM / COPDH, 02/07/12, disponível em: http://copdhce.blogspot.com.br/2012/07/depoimentos-acerca-do-i-curso.html