quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Indicada para assumir a Secretaria de Políticas para as Mulheres diz que aborto é questão de saúde pública

07/02/2012 - 12h53

Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A professora e socióloga Eleonora Menicucci, indicada pela presidenta Dilma Rousseff para assumir a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), disse hoje (7) que considera a discussão do aborto no Brasil uma questão de saúde pública.

“Não é uma questão ideológica, é uma questão de saúde pública, como o crack e outras drogas, a dengue, o HIV e todas as doenças infectocontagiosas”, ressaltou. Ela lembrou que o aborto, no Brasil, é a quarta causa de mortalidade materna e a quinta entre as internações.

Durante coletiva de imprensa, ela se mostrou pessoalmente favorável à descriminalização do aborto, mas destacou que, a partir do momento em que aceitou o convite para a SPM, passou a assumir a posição do governo em relação ao assunto.

“Minha posição pessoal, a partir de hoje, não diz respeito, não interessa”, disse. “A matéria da legalização ou descriminalização do aborto é uma matéria que não diz respeito ao Executivo, mas ao Legislativo”, completou.

Segundo Eleonora, que deverá tomar posse na próxima sexta-feira (10), uma das prioridades da pasta será dar continuidade ao combate à violência doméstica e sexual. Ela defendeu, entre outras medidas, a punição de estupradores, mesmo quando a vítima não procurar a delegacia para fazer a queixa. O assunto será apreciado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) amanhã (8).

A ministra Iriny Lopes, que deixa o cargo para concorrer à prefeitura de Vitória (ES) nas eleições municipais de outubro, também participou da coletiva e fez um balanço de sua gestão no ano de 2011. Segundo ela, 100% do orçamento destinado à SPM foram executados. “Nenhum ministério acha suficiente os recursos que tem. Porém, não fomos afetados”, disse. Para este ano, estão previstos R$ 107 milhões.

Sobre a sucessora, ela avaliou que Eleonora tem experiência na área administrativa e na defesa dos direitos das mulheres e, por essa razão, foi escolhida por Dilma para o cargo.

“Saio para cumprir essa tarefa [concorrer à prefeitura de Vitória], com a concordância e o apoio da presidenta. Isso foi amplamente discutido com ela e foi o que motivou a decisão da minha saída. Farei o que é natural fazer nesses processos. Retomo meu mandato de deputada federal e, dentro do prazo que a lei eleitoral permite, intensificarei as conversas, os diálogos com os partidos no meu estado e na minha cidade”, destacou.

Edição: Lílian Beraldo

Fonte: Agência Brasil, 07/02/12, disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-02-07/indicada-para-assumir-secretaria-de-politicas-para-mulheres-diz-que-aborto-e-questao-de-saude-publica

Um comentário:

Sandro Guimarães disse...

Como pode o Brasil ser um "país sem fome" sendo um país rico? algo está errado, pois, os projetos sociais do governo deveriam ter sido criado apenas como medida paliativa e não definitiva/eleitoreira. No Brasil fltam; saúde, educação, trabalho e salário digno e outros mais, devido a falta de politicas públicas de humanização devolvendo a honra aos brasileiros e não os tornando "escravos modernos", alienando-os. Daí, hoje fica mais fácil defender o aborto como forma de minimizar os problemas de saúde das mulheres (sem emprego, que bebem, se drogam, engravidam muitas vezes pela necessidade de alugar o próprio corpo. Vale considerar também o abandono dos pais, os altos indices de mortalidade, depressão, baixa estima do nosso povo. Baixo salário para o trabalhador enquanto a grande maioria dos políticos ganham verdadeiras fortunas além de benesses oferecidos pelo poder.

Melhorar a saúde das mulheres de brasileiras com base na legalização do aborto é concordar que possamos em breve abrir um precedente de exterminio de "miseráveis" para acabar de vez com a pobreza.